www.dn.ptBeto Pires Ferreira - 13 jun 01:02

Beto Pires Ferreira - Imagine melhor

Beto Pires Ferreira - Imagine melhor

A discussão sobre o valor intrínseco da sustentabilidade para pessoas, empresas e governos é passado.

A sociedade já percebe conquistas reais na nova economia e entende que empresas e governos devem compartilhar a responsabilidade de promover o desenvolvimento inclusivo e sustentável nas próximas décadas e que as parcerias multissetoriais têm um papel crucial nessa lógica.

O facto é que seis em cada dez millennials querem trabalhar para organizações com propósito e, cada vez mais, comprar produtos e serviços de marcas sustentáveis, que compartilham os seus valores e seu lifestyle consciente e conectado. Podemos antever, portanto, o impacto revolucionário dessa relação de consumo numa geração adiante. As relações entre as marcas e os seus clientes, os governantes e os cidadãos nunca foram tão diretas, simples e instantâneas.

Mesmo que a sustentabilidade ainda seja encarada por poucas lideranças globais como um conceito essencialmente abstrato, desde os anos 1990 que se tem consolidado na prática como o principal drive de inovação estruturante da sociedade contemporânea e um imperativo nas relações de negócios, no bem-estar social e, claro, na sobrevivência do planeta. Noções como a de purpose branding estão a mudar a dinâmica comercial das marcas da mesma maneira que o digital transformou (e ainda está a transformar) a forma como as pessoas compram, vendem e se relacionam.

Trata-se de facto de uma vantagem competitiva única que estabelece claros diferenciais e que cria blindagens naturais no chamado long run, num contexto social, político e económico em que, cada vez mais, a única constante é a inconstância. Tesla, Nissan, Natura, Continente, Danone, IKEA, Basf e Unilever, entre tantas outras marcas que são símbolos dos novos tempos de ética e valores compartilhados, assim como movimentos como as B Corporations, slow food, slow fashion e a crescente relevância e rentabilidade das companhias que fazem parte dos índices de sustentabilidade em bolsas de valores pelo mundo como Down Jones Sustainability Index de Nova Iorque e o ISE Ibovespa de São Paulo, chegaram para pautar os nossos caminhos.

Os shareholders entenderam por fim que abrir espaço e priorizar os demais stakeholders significa lucrar mais no médio e longo prazos e contribuir para ambientes de negócios menos hostis e suicidas, e que as relações de trabalho têm de ser sinceramente amigáveis e produtivas para ambos os lados, porque a alta rotatividade nos empregos veio para ficar. E isso não é necessariamente uma má notícia. Se ousássemos dar um único conselho, seria: walk the talk ASAP, ou fique pelo caminho.

Portanto, incluir o ser humano na equação é uma solução lógica e a evolução da ditadura do economics para o humanomics só parece distante para quem ainda pensa e age de forma analógica ou se acostumou a atropelar a realidade à sua frente.

Novas profissões estão a nascer, uma nova organização social está a estabelecer-se. E o nosso desafio como protagonistas da nova economia sustentável é incorporá-la de forma natural às nossas estratégias e operações e promover esses hábitos de consumo no dia-a-dia da base da pirâmide social.

O trilho existe e chama-se Agenda 2030 da ONU.

Acelerar a implementação das ODS das Nações Unidas é a chave nesse processo, especialmente através da cooperação multistakeholder, do refinamento de critérios ambientais, sociais e de governação nas empresas públicas e privadas e ainda da garantia de que a base da pirâmide social caminhe junta, incorporando no seu dia-a-dia hábitos sustentáveis de consumo e de comportamento. E também que entendamos essas mudanças como oportunidades.

Existe um imenso potencial de negócios e de inclusão social nos objetivos globais e o nosso grande legado como cidadãos e líderes empresariais está justamente em transformar metas globais em metas de negócios, incorporando de vez o fator socioambiental a qualquer equação.

CEO da Sustainable Society Initiative

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