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Cientistas suspeitam que alguém, algures, está a violar o acordo internacional e a produzir CFCs

Cientistas suspeitam que alguém, algures, está a violar o acordo internacional e a produzir CFCs

Em causa está a infração do Protocolo de Montreal estabelecido em 1987, quando foram proibidos vários gases que danificam a camada de ozono

Uma pesquisa, feita por investigadores dos Estados Unidos da América com a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) e com a ajuda de cientistas holandeses e britânicos, descobriu que as emissões de CFC's estão a aumentar. Sendo que esta substância química foi proibida em 1987 pelo Protocolo de Montreal, os dados indicam que alguém pode estar a violar o acordo ao produzir estes gases. As emissões de CFC-11 subiram 25% desde 2012.

Stephen Montzka, o principal autor do estudo, diz que nunca tinha visto nada assim em 30 anos de trabalho na área - O que se achava ser um acordo de sucesso para a História, com todas as nações unidas para o objetivo comum de proteger a camada de ozono, parece, afinal, não estar a ser totalmente cumprido.

Um observatório no Havai registou este químico poluente misturado com outros gases, vindos algures do leste da Ásia, mas, como não conseguiu restringir mais a área, não foi possível perceber a origem específica destas emissões.

"Alguém está a fazer batota", explica Durwood Zaelke, um dos especialistas do Protocolo de Montreal ao comentar esta descoberta. "Há uma pequena possibilidade de não ser intencional... mas deixa claro que há fortes indícios de que está a ser produzido", acrescenta. O especialista ficou surpreendido, não só porque o produto foi proibido, mas também porque existem alternativas à sua produção.

Os cientistas ainda equacionaram haver uma desculpa inocente para que isto esteja a acontecer: Situações como mudanças nos padrões atmosféricos que removem gradualmente os CFCs da estratosfera, o aumento da taxa de demolição de edifícios com resíduos antigos destes gases ou a produção acidental. Porém, estas razões não justificam o aumento da emissão de CFCs para 13 mil milhões de gramas por ano.

Este gás poluente pode durar até 50 anos da atmosfera, depois de ser libertado, e só na estratosfera é que é destruído. Lá, a cerca de 29 quilómetros da superfície do planeta, as moléculas de cloro resultantes da desintegração dos CFCs envolvem-se e sofrem várias reações químicas que destroem a camada de ozono o que, consequentemente, enfraquece a proteção que a Terra tem contra os raios ultravioleta. Os CFCs também aumentam o efeito de estufa e contribuem para o aquecimento global.

Com o tempo, a camada de ozono tem vindo a recuperar e segundo o acordo internacional, a produção de CFC-11 deve ser menor ou igual a zero. No entanto, com este aumento de emissões, a recuperação regrediu em cerca de 22%, o que vai voltar a atrasar a regeneração e vai deixá-la exposta a outras ameaças.

Num comunicado, Keith Weller, porta-voz do Programa Ambiental das Nações Unidas e administradora do Protocolo de Montreal conclui que "é fundamental que façamos um balanço desta ciência, identifiquemos as causas destas emissões e tomemos as medidas necessárias", confirmando ainda que a produção não declarada de CFC-11 é uma "violação da lei internacional". Weller explicou que o responsável nunca será punido, terá apenas de ser feita uma negociação.

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