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Música. O thrash-jazz dos Gorilla Mask e o sentido de perigo de Almeida/Amado/Franco no Jazz im Goethe Garten

Música. O thrash-jazz dos Gorilla Mask e o sentido de perigo de Almeida/Amado/Franco no Jazz im Goethe Garten

A 14.ª edição do ciclo de concertos tomará conta do jardim do Goethe Institut, em Lisboa, de 3 a 13 de Julho.

Desde 2005 que o Jazz im Goethe Garten (JiGG) leva até Lisboa um programa que é uma viagem concentrada a algum do melhor jazz de vanguarda a brotar em solo europeu. A 14.ª edição, que decorrerá de 3 a 13 de Julho, voltará a instalar no jardim do Goethe Institut, no Campo dos Mártires da Pátria, um palco sensível às liberdades de formações temerárias, em constante luta contra os limites dentro dos quais reinam o jazz e a música improvisada. Excelentes exemplos disso mesmo são os dois trios que abrem e encerram o JiGG, respectivamente: a formação dos portugueses Gonçalo Almeida, Rodrigo Amado e Marco Franco, e os alemães Gorilla Mask.

Editados pela portuguesa Clean Feed, os Gorilla Mask são liderados pelo saxofonista Peter van Huffel, confesso seguidor de John Coltrane, Albert Ayler e John Zorn. As rotas de improvisação de Huffel espraiam-se sobre uma secção rítmica que só na aparência poderá assemelhar-se à vulgar composição de um trio de saxofone segundo a tradição jazzística. E isto porque o baixo eléctrico de Roland Fidezius e a bateria de Rudi Fischerlehner aplicam à música dos três uma constante terapia de choque, aproximando-os de uma sonoridade alinhada com punk ou hard rock. No fecho do JiGG, a 13 de Julho, os Gorilla Mask serão intérpretes, certamente, de um alinhamento de potencial explosivo, que já foi baptizado como “thrash-jazz”, nos arrabaldes do seu último álbum – Iron Lung (2017).

A abrir o ciclo de concertos, no dia 3, o trio que une o contrabaixo de Gonçalo Almeida (membro dos LAMA, sediado em Amesterdão), o saxofone de Rodrigo Amado e a bateria de Marco Franco. Três nomes de proa do jazz mais audaz feito em Portugal, Almeida, Amado e Franco gravaram em 2015, no sótão da Sociedade Musical União Paredense (SMUP), o álbum The Attic, lançado no ano passado pela NoBusiness e incluído por várias publicações internacionais, e pela estação norte-americana NPR, nas listas (algumas individuais) de melhores de 2017 (Downbeat, El País, Free Jazz Blog, All About Jazz ou The Quietus). O Free Jazz Colective sublinharia mesmo que há no encontro dos três “sentido de perigo e liberdade de tomar riscos”, conferindo uma fluidez não linear a cada um dos temas.

Do programa do JiGG fazem ainda parte o trio de Barcelona Chaosophy (4 de Julho), em que imperam dois saxofones; o Trio Heinz Herbert (5), formação suíça propulsionada por uma energia rock (em que ninguém se chama Heinz Herbert); o italiano Gabriele Mitelli O.N.G. (6), liderado pelo trompetista que (agora sim) empresta o seu nome à formação, formado pelo pós-rock e pelo jazz de vistas largas; e o duo austríaco de Katharina Ernst e Martin Siewert, vindo da cena experimental de Viena e colocando os seus instrumentos de origem (bateria e guitarra) em diálogo com electrónica e brinquedos. Sempre em busca de novos mundos para a música com raízes no jazz.

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