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Construção. Conflito afasta Elevo de duas empreitadas na Zâmbia

Construção. Conflito afasta Elevo de duas empreitadas na Zâmbia

A agência americana Millennium Challenge Corporation diz que despediu a construtora por atrasos e deficiente execução. A Elevo diz que a rescisão dos contratos foi por sua iniciativa

O conglomerado Elevo, que absorveu cinco construtoras entre as quais a Edifer, MonteAdriano e Opway, sofreu um sério revés na Zâmbia.

A execução de duas empreitadas para o Millennium Challenge Corporatiom (MCC), uma agência americana que promove o desenvolvimento em países pobres, foi interrompida e o litígio segue para tribunal. Os dois contratos representam 52,3 milhões de dólares (45 milhões de euros).

As versões colidem. O MCC justifica o despedimento por execução deficiente e atropelos legais. A Elevo diz que a iniciativa da rescisão foi sua por omissões nos projetos e falta de pagamento.

Atrasos e desempenho deficiente

No seu site oficial, a sucursal na Zâmbia do MCC anunciou esta semana o afastamento da construtora portuguesa das duas empreitadas de abastecimento de água, drenagem e saneamento em Lusaca, a capital do país, que lhe atribuíra há dois anos.

De acordo com um porta-voz do MCC Zâmbia, “o mau desempenho da construtora e o risco de não concluir as empreitadas” nas datas e condições acordadas, forçaram a rescisão dos contratos. Os atrasos “impediam os moradores de Lusaca de beneficiar do acesso a água potável e saneamento adequado” em tempo devido.

A MCC acusa ainda a Elevo de atropelar as leis laborais da Zâmbia e invoca “protestos e agitação” na comunidade de operários ao seu serviço. As especificações do caderno de encargos quanto à reposição das vias públicas e calçadas privadas não terão sido sido respeitadas, acusa ainda a agência.

Omissões no projeto, pagamentos em atraso

A versão da Elevo é outra. A iniciativa da rescisão, no dia 8 de maio, foi sua, “após a incapacidade do MCC Zâmbia de cumprir as suas obrigações”, clarificando omissões nos contratos sobre pagamentos e corrigindo as deficiências do projeto.

Segundo Gilberto Rodrigues, o presidente e principal acionista da Elevo, o dono de obra “não pagou o trabalho executado nem entregou informação técnica atempadamente para que executássemos os trabalhos de acordo com o projeto”. Esta falha afetou irremediavelmente a gestão económica das empreitadas.

Por exemplo, só no fim de março, a Elevo recebeu as peças desenhadas e instruções solicitadas em janeiro de 2017, indispensáveis à execução dos trabalhos. A MCC “reteve sem justificação, a partir de novembro, os pagamentos de trabalhos já executados”. Ainda assim, a Elevo prosseguiu a execução, suportando encargos que avalia em 6 milhões de euros.

Estão por executar 9 milhões de obra

Neste quadro, “fomos forçados a adotar uma medida drástica para defender os interesses dos acionistas, bancos e demais comunidade de parceiros”. acrescenta Gilberto Rodrigues.

Segundo a Elevo, faltavam apenas 9 milhões de euros de obra para concluir as empreitadas cujos prazos expiraram em janeiro e março.

A 27 de abril o MCC - Zâmbia propôs a “rescisão amigável” do contrato. A Elevo rejeitou a oferta e avançou com a rescisão ”com efeitos imediatos”, refere um comunicado da Elevo Zâmbia.

Entretanto, esta quinta-feira a construtora recebeu uma carta do MCC a sugerir uma ronda de negociações para resolver a litigância, evitando que o caso siga para o circuito judicial da Zâmbia.

O MCC adjudicara à Elevo a construção das duas redes de abastecimento e saneamento básico em Lusaca no espaço de um mês. A intervenção repartia-se por 14 núcleos urbanos. As duas empreitadas envolviam 130 km de condutas de água, a remodelação de duas centrais elevatórias e 82 km de rede de esgoto e duas centrais de tratamento. Além disso, o caderno de encargos incluía a substituição de tubagens degradadas, a instalação de 780 km de condutas em ramais domiciliários e 32.500 contadores de pré-pagamento.

Terceiro lugar no ranking português

Com uma produção de 470 milhões de euros (2017) em 18 mercados, o grupo Elevo ocupa o terceiro lugar na tabela da construção portuguesa. Foi adquirido há seis meses ao fundo Vallis, participado pelos bancos. pela holding Nacala, ligada a Gilberto Rodrigues (75%) e Pedro Antelo, dois ex-diretores da Mota-Engil. O sistema bancário perdoou metade da dívida.

Pressionada por ações em tribunal e pedidos de insolvência, a Elevo sofria com a política restritiva da banca quando a Nacala fechou, em setembro, a aquisição.Três meses depois firmou a compra da Opway, a construtora que pertencera ao universo Espírito Santo.

BCP e Novo Banco terão injetado 20 milhões de euros para reforçar a tesouraria e tornaram-se os parceiros financeiros do conglomerado.

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