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Petróleo com maior ciclo de ganhos em sete anos. Bolsas caem  

Petróleo com maior ciclo de ganhos em sete anos. Bolsas caem  

O petróleo continua a negociar em alta, o euro está a recuperara de mínimos e os juros de Itália prosseguem a tendência de subida. As bolsas europeias caem condicionadas pelas notícias relacionadas pelas relações comerciais entre a China e os EUA.

Os mercados em números

PSI-20 valoriza 0,17% para 5.763,6 pontos

Stoxx 600 cede 0,3% para 394,6 pontos

Nikkei subiu 0,4% para 22.930,36 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos avançam 1,1 pontos base para 1,814%

Euro ganha 0,16% para 1,1813 dólares

Petróleo sobe 0,34% para 79,57 dólares em Londres 

Bolsas em queda com notícias da China

As notícias relacionadas com as negociações entre a China e os Estados Unidos para resolver a disputa comercial entre os dois países está a condicionar a evolução dos mercados accionistas. A notícia da Bloomberg de que a China estava disponível para reduzir o défice em 200 mil milhões de dólares impulsionou as bolsas asiáticas mas a imprensa chinesa já veio negar a informação, pelo que as bolsas europeias transaccionam em terreno negativo.

O Stoxx 600 cede 0,3% para 394,6 pontos, estando a ser pressionado pelas cotadas do sector tecnológico e de bens de consumo. Em Lisboa, o PSI-20 consegue contrariar a tendência, com uma subida de 0,17% para 5.763,6 pontos. É impulsionado pela Sonae, que reage em alta aos resultados do primeiro trimestre.

Euro recupera de mínimos

Depois de ter tocado em mínimos do ano em várias sessões desta semana, o euro está a recuperar terreno, valorizando 0,16% para 1,1813 dólares. A moeda europeia tem sido penalizada pelos indicadores que apontam para um abrandamento da economia, estes que devem atrasar a redução do programa de estímulos por parte do BCE. Em sentido contrário, os dados económicos nos EUA têm sido positivos, levando o mercado a descontar uma política monetária mais agressiva por parte da Reserva Federal. Isto tem também impulsionado os juros das obrigações soberanas dos EUA a 10 anos, que hoje estão estáveis depois de terem fixado novos máximos desde 2011 acima de 3,11%.

Juros de Itália prolongam alta

Enquanto não há ainda um desfecho nas negociações entre o 5 Estrelas e o Liga para a formação de governo em Itália, os mercados continuam a mostrar nervosismo com o programa alegadamente anti-Europa que está a ser preparado pelos dois partidos populistas. Os juros das obrigações soberanas a 10 anos de Itália sobem 2,7 pontos base para 2,14%, sendo que os títulos de dívida de Portugal sofrem um agravamento mais contido (a "yield" avança 1,1 pontos base para 1,814%). O "spread" entre os títulos dos dois países está acima dos 30 pontos base.

Petróleo com maior ciclo de ganhos desde 2011

O petróleo continua a negociar em terreno positivo, embora ainda abaixo dos máximos de quatro anos que atingiu na sessão anterior, quando superou os 80 dólares em Londres. Hoje o Brent está a subir 0,34% para 79,57 dólares e o WTI em Nova Iorque avança 0,2% para 71,63 dólares.

No acumulado da semana, o Brent avança mais de 3% e em Nova Iorque soma mais de 1%. A matéria-prima caminha assim para a sexta semana consecutiva de ganhos, o que corresponde ao ciclo de ganhos mais prolongado desde 2011.

Esta tendência de ganhos no petróleo está relacionada com o aumento das preocupações de redução na oferta, sobretudo no Médio Oriente e na Venezuela, numa altura em que se avolumam os indicadores de reforço da procura, o que perspectiva o fim rápido da situação de desequilíbrio que o mercado petrolífero registou durante vários anos.


Há analistas que antecipam a subida até aos 100 dólares nos próximos meses, sendo que tudo vai depender de como evoluem as tensões geopolíticas e se há constrangimentos adicionais na produção.

"Há receios de que, depois da saída dos EUA do acordo nuclear com o Irão, o terceiro maior produtor da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) tenha que cortar as suas exportações a médio prazo", escreve o Commerzbank num comentário publicado esta quinta-feira.

"Nos próximos 18 meses, esperamos pressão sobre o equilíbrio global entre a oferta e a procura de petróleo devido ao colapso na produção venezuelana. Além disso, há riscos de queda das exportações iranianas", defende o Bank of America, numa nota onde admite que a matéria-prima possa superar a barreira dos 100 dólares, em 2019, dependendo dos acontecimentos geopolíticos. 

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