www.cmjornal.ptCarlos Moedas - 18 mai 01:31

Inteligência artificial

Inteligência artificial

Não queremos uma inteligência artificial que nos substitua ou nos imite, mas que nos ajude a ser melhores.
Em maio de 2016, na reunião do G7 de ministros da ciência no Japão, tive um encontro que nunca esquecerei: fui apresentado a um robot que parecia mesmo uma pessoa, com uma pele, expressões e tiques humanos. Apesar de a tecnologia ser admirável, a experiência gerou um certo incómodo, tanto em mim, como nos meus colegas europeus. Respeitávamos naturalmente a escolha, mas todos concordámos que não era isso que queríamos para a Europa.

Nesse dia, percebi que a Europa provavelmente fará escolhas diferentes de outras regiões no que diz respeito à inteligência artificial. E que, como tal, teremos de fazer escolhas políticas muito claras. Não queremos uma inteligência artificial que nos substitua ou nos imite, mas sim uma inteligência artificial que nos ajude a ser melhores.

Eu não quero que o meu médico passe a ser um computador com inteligência artificial. Quero sim que o meu médico use a inteligência artificial para complementar as suas qualidades, a sua experiência e o conhecimento que tem da minha história clínica e da minha personalidade, tornando assim o seu diagnóstico ainda mais correto.

Eu não quero que o meu professor passe a ser virtual. Os meus professores e mentores devem continuar a transmitir a criatividade, inspiração e capacidade de interligar diferentes matérias. Quero sim que a inteligência artificial me ajude a ler e gerir uma quantidade de informação que humanamente já não consigo digerir. Os grandes avanços da ciência não se devem à capacidade de computação, mas sim à capacidade humana de fazer ligações nunca antes feitas. A inteligência artificial não tem vontade própria. A ciência é vontade própria por definição.

Outras partes do mundo podem ter visões diferentes da maneira como encarar este desafio, mas na Europa somos muito claros: teremos uma inteligência artificial que nos ajude a ser mais humanos e não que nos substitua. Esta não é uma escolha tecnológica – é uma escolha política.

Naquela noite em Tóquio, pensei para mim que esta escolha é parte da nossa identidade europeia. São também estas escolhas que nos definem como europeus.

Beja merece mais
No sábado passado, assisti com muita emoção, em Beja, às cerimónias do 44º aniversário do PSD. As celebrações decorreram no Pax Julia, que, na década de 70, foi palco de uma reunião histórica em que os militantes do PSD, simpatizantes e curiosos só conseguiram sair da sala sob escolta policial.

Nessa mesma noite, a sede do PSD foi vandalizada. São cenas de violência que o meu pai reportou como jornalista e de que ainda guardo memórias de criança por contrastarem com a habitual tranquilidade da cidade. Acertada foi a escolha do Alentejo, e de Beja em particular, por evidenciar que o interior do país precisa de mais investimento público, nomeadamente em termos de acessibilidade e de serviços públicos.

É essa nobre causa que tem defendido com convicção o movimento ‘Beja merece +’ pela voz de Florival Baiôa e muitos outros. Só essas condições prévias permitem fixar populações, desenvolver a economia, criar postos de trabalho e atrair mais investimento privado.

É caso para recordar a quadra popular do cante alentejano, património mundial da Humanidade: "Aquela pomba tão branca / Todos a querem p’ra si / Ó Alentejo queimado / Ninguém se lembra de ti."

Macron mantém vivo espírito europeu
Foi galardoado com o Prémio Carlos Magno, atribuído a personalidades que contribuem para manter vivo o espírito europeu. Macron voltou a demonstrar a sua veia reformista para a Europa sob a forma de quatro mandamentos: não esperar mais, não ter medo, não sermos fracos e não nos dividirmos.

O site esquerda.net mantido pelo BE
Apelou ao boicote à votação na canção israelita que venceu a Eurovisão. Uma coisa é estar contra as políticas do atual governo de Israel, e pessoalmente condeno os últimos acontecimentos em Gaza, outra coisa é atacar uma música que apela precisamente à tolerância e diversidade. É dar um tiro no pé.

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É a idade média em que os jovens europeus saem de casa. Notam-se disparidades geográficas em que os jovens nórdicos são mais precoces ao tornarem-se independentes pelos 20 anos, ao passo que nos países mediterrânicos esperam até aos 30 anos. Em Portugal, a média é de 29,2 anos para os jovens voarem pelas próprias asas.

Uma Europa que p rotege...
...os seus consumidores quando compram serviços de trans-missão de filmes (ex. Netflix), desporto, música e jogos no país deles para aceder a esses mesmos conteú-dos quando viajam dentro da UE. Uma Europa sem frontei-ras terrestres não pode ter fronteiras digitais.
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