www.vidaeconomica.ptvidaeconomica.pt - 17 mai 21:15

Governo vai reduzir burocracia na formação profissional

Governo vai reduzir burocracia na formação profissional

A contratação de formadores pelos centros protocolares de formação profissional vai deixar de estar sujeita à autorização prévia do ministro das Finanças – afirmou António Costa.
Falando no encerramento da conferência da Associação dos Industriais Metalúrgicos e Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP) que teve por tema “Metal 4.0, a sustentabilidade, crescimento e inovação”, o primeiro-ministro manifestou o empenho do Governo em apoiar a formação profissional, disponibilizando os recursos financeiros necessários e reduzindo as atuais exigências burocráticas.
A resposta de António Costa seguiu-se à intervenção de Rafael Campos Pereira. O vice-presidente da Aimmap lamentou o facto de a contratação de formadores por parte do Cenfim continuar a depender da autorização do ministro das Finanças, envolvendo um processo que demora cerca de um ano. Apesar de o Cenfim ser um centro protocolar criado por iniciativa das empresas e da associação do setor, em parceria com o Estado tem estado sujeito a todas as regras da Administração Pública e não consegue dar resposta às necessidades de qualificação dos quadros das empresas.
Para o primeiro-ministro a formação profissional deve ser uma prioridade porque apesar da evolução positiva da indústria metalúrgica e metalomecânica ainda há uma grande falta de mão-de-obra qualificada e uma grande necessidade de apostar na qualificação dos colaboradores das empresas.António Costa destacou que a indústria metalúrgica e metalomecânica lidera as exportações nacionais, com 16,4 mil milhões de euros de vendas externas em 2017.
“É justo e devido prestar homenagem ao primeiro setor exportador português. Temos referido o que tem sido o grande sucesso do crescimento das exportações no agroalimentar, têxtil e calçado, mas a verdade é que o primeiro sector exportador português é o das indústrias metalomecânicas. Não estamos aqui a falar da indústria automóvel, que tem uma categoria própria, mas mesmo da indústria metalomecânica”, disse, António Costa.
De acordo com os números apresentados pelo Primeiro-Ministro, o setor é composto 20 mil empresas, emprega cerca de 350 mil pessoas, tem J 6,5 mil milhões de valor acrescentado nas exportações e cresceu 14% nas exportações no primeiro trimestre deste ano.
 
Aumentar as parcerias com as empresas
 

A formação profissional foi um tema em debate na conferência. Em alternativa a um modelo centralizado na iniciativa pública, deve haver uma maior aposta nas parcerias entre instituições de ensino, principalmente as profissionais e as empresas.
“Temos de refundar todo o exercício da formação profissional. As empresas devem fazer parcerias com os formadores porque eles é que conhecem as suas necessidades”, disse o assessor da direção da AIMMAP e especialista em formação João Girão. Segundo referiu, nas ações de formação promovidas pelas instituições públicas é necessário reformular os programas e conteúdos existentes que não estão adaptados à realidade atual, nem à importância crescente da economia digital.

Faltam pessoas na indústria

O setor da metalurgia e metalomecânica enfrenta uma dificuldade, crescente na contratação de pessoas para a produção industrial.
Aníbal Campos, presidente da AIMMAP, enfrenta essa dificuldade à semelhança das empresas do setor que estão em crescimento. A Silampos emprega 200 pessoas e atingiu uma faturação de 13 milhões de euros no ano passado. Em 2018 as vendas deverão ultrapassar os 15 milhões de euros, obrigando à contratação de novos colaboradores que a empresa não consegue encontrar nem nos Centros de Emprego nem nos anúncios de recrutamento.
Os valores de remuneração já estão acima das tabelas salariais. Um operador de máquina tem um salário de 800 euros e um serralheiro com alguma experiência ganha 1000 euros mensais. Aníbal Campos lamenta que haja mais interesse dos jovens por empregos nos serviços do que pelo pisar o “chão de fábrica” da indústria.
De acordo com um estudo recente da AIMMAP, existe um défice de 28 mil trabalhadores no setor. As maiores carências sentem-se ao nível de operários qualificados, soldadores, serralheiros, operadores de máquinas e engenheiros. Mas Rafael Campos Pereira afirma que em algumas regiões nem trabalhadores indiferenciados se  conseguem contratar.

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