www.jn.ptCristina Azevedo - 17 mai 00:13

Novidades de 12 de maio

Novidades de 12 de maio

O 12 de maio de Fátima trouxe, este ano, uma novidade de alcance político forte e benfazejo. Pela primeira vez presidiu às celebrações da peregrinação aniversária do 13 de maio, a primeira do segundo século de Fátima, um cardeal da República Popular da China - John Tong, bispo emérito de Hong Kong.

Nas suas intervenções não se cansou de afirmar que representava todos os católicos da China. Os de Macau e Hong Kong, os da China Continental, os de Taipé e os de todos os outros territórios.

A sua presença foi genericamente justificada como uma atenção reforçada do Santuário ao continente asiático, tendo em conta que são cada vez mais os grupos deste continente que visitam Nossa Senhora de Fátima.

No entanto, o seu alcance foi muito maior sobretudo considerando as negociações em curso entre a Santa Sé e a China para a normalização das relações diplomáticas entre os dois estados.

Estas, terão forçosamente de passar pela resolução da bicefalia que atualmente tutela os cristãos católicos naquele país.

Os ditos oficiais, submetidos à Associação Patriótica que nomeia bispos e não reconhece a autoridade do Papa e a clandestina, composta por cristãos católicos que se submetem apenas a Roma sendo, por isso, perseguidos, presos e torturados.

O protagonismo dado a um cardeal chinês da Santa igreja de Roma que assumidamente representou todos os cristãos católicos daquele país, protagonismo dado num altar global que apenas é superado pelo Vaticano em afluência e devoção, não foi um ato inocente.

Ao contrário, foi um ato inteligente e assertivo, seguramente negociado e aceite por ambas as partes e que pode, assim o espero, significar avanços virtuosos no garante da liberdade religiosa em todo o território da República Popular da China.

Por cá, no Porto e no mesmo dia, Rui Moreira protagonizou igualmente um ato inteligente e assertivo ao receber, 19 anos depois, o F. C. Porto e, sobretudo, ao atribuir ao seu Presidente a Medalha de Ouro da cidade.

Reconhecer o poder da marca FCP na projeção da cidade é absolutamente óbvio e deve ser assumido permanentemente em qualquer estratégia de desenvolvimento da cidade e da região.

Não celebrar as suas vitórias durante tantos anos foi apenas arrogância pessoal e miopia política.

Mas atribuir a Jorge Nuno Pinto da Costa a Medalha de Ouro da cidade foi dar-nos a todos, portistas e portuenses, a oportunidade de uma confissão coletiva de gratidão e de admiração a um homem que fez da identidade de um território a força ganhadora de uma equipa.

* ANALISTA FINANCEIRA

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