observador.ptPedro Barros Ferreira - 17 mai 00:45

O Nero do Sporting

O Nero do Sporting

Tal como Nero em Roma, Trump na Casa Branca, ou Bruno de Carvalho no Sporting, não se pode compactuar com quem não se relaciona com o seu semelhante de forma racional e educada, cordata e razoável.

Durante a noite de 18 de julho de 64 ocorreu em Roma um incêndio que devastou a cidade. O fogo começou a sudeste do Circo Máximo, onde se localizavam uns postos que vendiam produtos inflamáveis.

Não está clara qual foi a causa do incêndio, se foi um acidente, ou se foi premeditado. Os historiadores Suetônio e Dião Cássio defendem a teoria de que foi o próprio Nero que causou fogo com o objetivo de reconstruir a cidade ao seu gosto. Tácito menciona que os cristãos foram declarados culpados do delito, embora não se saiba se esta confissão foi obtida sob tortura. Segundo ainda Suetônio e Dião Cássio, enquanto Roma ardia, Nero cantava o Iliupersis. Depois do incêndio, o imperador desenvolveu um novo plano urbanístico dentro do qual projetou a construção de um novo palácio, conhecido como a Casa Dourada.

Durante toda a minha vida adulta, defendi que preferia ser sócio de um clube que, mesmo não ganhando títulos, era composto e liderado por pessoas de bem. E continuo a defender. Eduquei os meus filhos nesse pressuposto. São eles, tal como eu, sócios do Sporting Clube de Portugal.

Nos últimos tempos, tentando tapar o sol com a peneira, dizia que – apesar de tudo – preferia um Presidente desbocado e disparatado, mas que não era acusado de trafulhices.

No entanto, tal como Nero em Roma, Trump na Casa Branca, ou Bruno de Carvalho no Sporting, não se pode compactuar com quem não se relaciona com o seu semelhante de forma racional e educada, cordata e razoável. Com quem demonstra um egocentrismo exacerbado. Com quem entende que é preciso arrasar, para construir de novo.

Não sei, nem quero saber, os pecados dos jogadores do Sporting. Essa é uma matéria para os dirigentes.

Não quero que os adeptos do meu clube se comportem de forma idêntica à dos outros. Não admito que os dirigentes do meu clube copiem os defeitos dos outros. Mesmo que tais defeitos tragam todos os títulos do mundo.

Não alinho em histórias pacóvias de clubes aristocratas. Mas exijo que o meu clube respeite a tradição e honre aqueles que, no passado, defenderam o Sporting.

Os energúmenos que praticaram os actos de selvajaria, têm que ser expulsos de sócio – duvido que o sejam – e proibidos de entrar em qualquer instalação do Sporting.

Os homens bons do Clube, têm que se chegar à frente. Alguns, a título de exemplo: Madeira Rodrigues, Nuno Fernandes Thomaz, Pedro Baltazar, Nuno Correia da Silva, João Pedro Gonçalves Pereira. Qualquer um deles merece o meu apoio.

Os meus filhos não merecem isto.

Militante do CDS-PP. Politólogo

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