www.computerworld.com.ptcomputerworld.com.pt - 17 abr 20:00

ISOC quer mais que “pedido de desculpa” da Facebook

ISOC quer mais que “pedido de desculpa” da Facebook

Na sequência do caso Facebook/Cambridge Analytica, a ISOC pede ao sector empresarial para fazer mais para proteger os dados dos utilizadores. Pedir desculpas é um princípio, mas é preciso fazer mais para que o mundo não perca a confiança na Internet.

Pedir desculpa é um primeiro passo, mas “não é suficiente. As empresas devem fazer melhor no que diz respeito aos dados das pessoas”. É assim que a Internet Society (ISOC) reage ao caso da fuga de dados de milhões de utilizadores do Facebook que foram disponibilizados indevidamente à empresa britânica Cambridge Analytica e que, alegadamente, poderão ter influenciado os resultados das eleições presidências norte-americanas.

A ISOC está desapontada, mas não surpreendida com as notícias relacionadas com o caso Facebook/Cambridge Analytica revelations. “Este incidente é simplesmente o resultado natural da actual economia, assente em dados, que coloca os negócios e outros em primeiro lugar e não os utilizadores”, diz a ISOC numa nota publicada no site oficial. O cap��tulo português subscreve estas constatações.

“Mais do que um mero pedido de desculpas. É necessária uma mudança” ISOC

Para a ISOC, uma organização sem fins lucrativos que se dedica a garantir o desenvolvimento aberto, a evolução e a promoção da utilização da Internet a nível mundial, o pedido de desculpas de Mark Zuckerberg é um primeiro passo, mas não é o suficiente. As revelações têm uma dimensão que obrigam a “mais do que um mero pedido de desculpas. É necessária uma mudança”, refere a ISOC.

A ISOC apela a um incremento dos níveis de transparência e ética no que diz respeito ao tratamento da nossa informação. “Qualquer um que recolha dados deve ser responsável perante os seus utilizadores e perante a sociedade”, uma vez que a má utilização dos mesmos pode acarretar com consequências graves tanto para os indivíduos como para a sociedade.

Recorde-se que a ISOC está empenhada no desenvolvimento de um “Internet de confiança para todos e recorda que num mundo conectado todos são afectados pelas acções de todos os outros”. Acrescenta que “incidentes como este contribuem para um clima global de quebra de confiança na Internet que ameaça o seu valor económico.  Os negócios têm de fazer mais, assinala a ISOC.

ISOC pede honestidade e respeito pelos utilizadores 

Por tudo isto, a ISOC propõe cinco acções que, todos os que recolhem, utilizam e partilham dados sobre os utilizadores, como é o caso das redes sociais, devem cumprir: honestidade, transparência, escolha, simplicidade e respeito.

Estas recomendações, que deram origem a uma carta enviada pelo capítulo brasileiro do ISOC à Facebook, são igualmente subscritas pelo capítulo português da Sociedade da Internet, como confirmou ao Computerworld José Legatheaux Martins, presidente do ISOC Portugal. “Estamos de acordo com a posição da Internet Society e subscrevemos a carta”, assinalou Legatheaux Martins.
 

As recomendações da ISOC são subscritas pelo capítulo português da Sociedade da Internet.

A ISOC pede honestidade “sejam honestos connosco, respeitem os nossos dados, a nossa atenção e o nosso “gráfico social”. Isto significa colocar os nossos interesses acima dos vossos. Isto deve ser inequívoco. O vosso modelo de negócio somos nós. Procurem o nosso consentimento com honestidade e quando utilizarem ou partilharem a nossa informação não ultrapassem aquilo que consentimos. Se o fizerem, esperamos que as leis os responsabilizem significativamente”.

Em seguida a ISOC pede transparência. “Tornem os vossos termos de privacidade fáceis de compreender, para que o nosso consentimento signifique de faco qualquer coisa. Sejam claros e honestos sobre o vosso modelo de negócio, os vossos parceiros, as vossas políticas e práticas de privacidade. Peçam uma auditoria de privacidade para a vossa empresa e depois digam-nos o que estão a fazer para resolver as questões identificadas”.

“Deixem-nos aceder (opt-in) quando achamos interessante. Deixe-nos sair (opt-out) quando mudamos de ideia”, pede a ISOC. 

A ISOC pede também que seja possível optar de facto por “opt-out by default”. “Deixem-nos aceder (opt-in) quando achamos interessante. Deixe-nos sair (opt-out) quando mudamos de ideia. Respeitem o nosso direito de deixar de utilizar os vossos produtos e serviços. Apaguem os nossos dados quando nos vamos embora, ou mais cedo, se já não precisarem deles”.

A simplicidade é o quarto ponto das acções sugeridas: “Desenham os vossos serviços para que tenham uma fricção única e uma conveniência máxima. Apliquem os vossos esforços de design também à privacidade. Não esperem que nós façamos a gestão dos nossos dados, passo a passo ou que enfrentemos definições complexas: deixem-nos exprimir as nossas preferências e intenções e respeitem a nossa escolha”.

Finalmente a ISOC pede respeito. “Tenham respeito por nós e pelos nossos interesses, em particular a nossa privacidade e autonomia. Tal significa que as políticas públicas devem dar prioridade à nossa privacidade, não aos interesses corporativos. Não nos tratem como simples matéria-prima ou como um produto para vender aos vossos clientes. Daqui em diante, não iremos prescindir das nossas preocupações com a privacidade sob a premissa ‘não tenho nada a esconder’.  Agora já percebemos”.

 Por Mafalda Simões Monteiro Tags
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