observador.ptobservador.pt - 17 abr 15:59

Caso Skripal. Agente neurotóxico estava em estado líquido

Caso Skripal. Agente neurotóxico estava em estado líquido

Vão ser precisos meses para limpar completamente os locais afetados na cidade de Salisbury, no sul de Inglaterra. Restaurante visitado por Skripla no dia 4 de março precisa de "limpeza especializada".

O agente neurotóxico que envenenou Serguei Skripal e a filha estava em estado líquido, anunciaram esta terça-feira as autoridades britânicas, adiantando que vão ser precisos meses para limpar completamente os locais afetados na cidade de Salisbury, no sul de Inglaterra. O Ministério do Ambiente britânico precisou que nove locais exigem “limpeza especializada”, incluindo o restaurante visitado pelos Skripal a 4 de março, horas antes de serem encontrados inconscientes num banco de jardim em Salisbury.

Cerca de 190 militares com formação específica estão a dar assistência aos funcionários das autoridades de ambiente, saúde e defesa que dirigem as operações de limpeza iniciadas esta terça-feira. “A limpeza de cada local envolve um processo de testes, remoção de objetos que possam estar contaminados, limpeza química e novos testes”, explicou o Ministério em comunicado, acrescentando que o trabalho vai levar “alguns meses”.

Os Skripal foram envenenados com “uma quantidade muito pequena” de agente neurotóxico e a maior concentração da substância foi detetada na maçaneta de uma porta da residência do ex-espião. Um laboratório militar britânico e, depois, a Organização para a Prevenção das Armas Químicas (OPAQ), identificaram a substância como ‘novichok’, um agente neurotóxico de uso militar desenvolvido na União Soviética nos anos 1970.

Pai e filha estiveram hospitalizados cerca de um mês em estado crítico. Yulia Skripal, 33 anos, teve alta hospitalar na semana passada e o pai, 66, permanece hospitalizado, embora já não esteja em estado crítico. A zona do cemitério de Salisbury em torno das lápides da mulher de Serguei Skripal, Luidmila, que morreu em 2012 de cancro, e do filho Alexandre, que morreu em 2017 de doença hepática, foram esta terça-feira reabertas ao público, depois de uma “investigação aprofundada e análises terem permitido concluir que não estavam contaminadas”.

Os outros locais potencialmente contaminados vão permanecer fechados até ao final das operações de limpeza e o resto da cidade “não representa perigo para os habitantes e visitantes”. As autoridades britânicas responsabilizam a Rússia pelo envenenamento, mas Moscovo nega qualquer envolvimento no caso.

O caso Skripal provocou uma crise diplomática que se traduziu numa ação coordenada inédita para a expulsão de cerca de 150 de diplomatas russos de vários países ocidentais, incluindo os Estados Unidos e dois terços dos países membros da União Europeia, a que a Rússia respondeu com a expulsão de 150 diplomatas ocidentais.

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