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Brasil - A a Z dos casos judiciais no Brasil

Brasil - A a Z dos casos judiciais no Brasil

A Lava-Jato é a mais famosa, mas outras há que abalam o Brasil, do mensalão à Operação Acrónimo, passando pela Erga Omnes

Acrónimo:
Megaoperação da Polícia Federal paralela à Lava-Jato que investiga esquema de corrupção entre empresas e partidos em Minas Gerais, incluindo o governador do estado Fernando Pimentel (PT).

Banestado:
Escândalo de transferência ilegal de dezenas de milhões de euros do Brasil para os Estados Unidos através do banco estatal Banestado nos anos 90. Mais tarde, um dos seus intermediários, Alberto Youssef, estaria na génese da Lava-Jato.

Castelo de Areia:
Operação, anterior à Lava-Jato, que investigou esquema de corrupção entre construtoras e políticos em 2009 e que terminou arquivada por ter partido de denúncia anónima. O procurador da Lava-Jato Deltan Dallagnol disse que se a Castelo de Areia não tivesse sido arquivada milhões de reais desviados no petrolão teriam sido poupados.

Deltan Dallagnol:
O procurador da Lava-Jato com mais apetite mediático promoveu célebre conferência de imprensa onde disse não ter provas mas sim a convicção de que Lula era o líder de um esquema de corrupção. Prometeu jejuar caso o STF rejeitasse o habeas corpus do antigo presidente.

Erga Omnes:
A 14.ª fase da Operação Lava-Jato, cujo nome em latim quer dizer "vale para todos", prendeu em junho de 2015 o príncipe da construção civil Marcelo Odebrecht.

Fachin:
Edson Fachin é o juiz do STF encarregado da Lava--Jato, após a morte de Teori Zavascki em desastre de avião em janeiro de 2017.

Guarujá:
A estância balnear ficou famosa após Lula ser acusado pelo juiz Sérgio Moro de ser proprietário de um apartamento triplex oferecido por Léo Pinheiro, dono da construtora OAS, hoje detido na mesma prisão do antigo presidente. Ontem, o Movimento dos Trabalhadores sem Teto e a Frente Povo sem Medo ocuparam o triplex.

Hermes Magnus:
A Lava-Jato chama-se assim porque intermediários tentavam lavar dinheiro desviado da Petrobras numa rede de lavandarias e postos de combustíveis. Foi Hermes Magnus, um anónimo comerciante, que fez a denúncia.

Instituto Lula:
Próximo processo em que Lula é réu: segundo a acusação, a Odebrecht ofereceu um terreno para a construção do Instituto Lula, em São Paulo, em troca de favores.

José Dirceu:
No mensalão, foi o réu mais mediático; no petrolão, é só mais um, o que dá a exata medida da dimensão do escândalo investigado pela Lava--Jato.

Kodama:
Nelma Kodama, amante de Alberto Youssef, foi condenada a 18 anos. Detida por tentar embarcar para a Europa com 200 mil euros nas cuecas.

Lula:
A Lava-Jato não seria um escândalo de proporções épicas se Lula, presidente de 2003 a 2010 e líder nas sondagens para as eleições de outubro, não a protagonizasse. Condenado a 12 anos e um mês por causa do triplex do Guarujá, a sua detenção dividiu o país. E o mundo.

Marena:
A delegada Erika Marena conduz a Lava-Jato desde a sua génese. Foi interpretada, com outros nomes, por Flávia Alessandra, na longa--metragem Polícia Federal - A Lei É para Todos e por Carol Abras, na série O Mecanismo.

Nestor Cerveró:
Cerveró, diretor da Petrobras, foi o primeiro anónimo tornado celebridade pela Lava-Jato, a julgar pela procura de máscaras de Carnaval com a sua cara (é notado por sofrer de exoftalmia: assimetria nos olhos). O seu filho Bernardo, ator profissional, ainda gravou o senador Delcídio do Amaral, sem este saber, a combinar a sua fuga e o seu silêncio.

Odebrecht:
"Não vou delatar porque não há nada a delatar", disse Marcelo Odebrecht, presidente da gigante Odebrecht, na hora da prisão. Meses depois, em troca da diminuição de pena, delatou dezenas de políticos. Atualmente, está em prisão domiciliária.

Paulo Roberto Costa:
Tal como Alberto Youssef, o diretor de abastecimento da Petrobras foi um dos delatores originais da Lava-Jato.

Que país é esse?
O título de um tema da banda Legião Urbana, tornado hino contra a corrupção nos anos 80, batizou a 10.ª fase da Lava-Jato, quando Renato Duque, elo entre a Petrobrás e o PT, foi detido. Indignado, ele usou a frase na altura da detenção.

Rodrigo Janot:
Ao apoiar a operação, o procurador-geral da República foi um dos protagonistas da Operação Lava-Jato. Só falhou quando tentou, com duas acusações, derrubar o presidente brasileiro Michel Temer, que acabou por ser salvo pelos deputados.

Sérgio Moro:
Tecnicamente sólido e naturalmente sóbrio, o jovem juiz de Curitiba ganhou estatuto de celebridade. Admirado por uns, que o veem como símbolo da luta contra a corrupção, é odiado por outros, que o consideram peão ao serviço da direita, após mandar prender Lula da Silva. Segundo o ex-presidente agora detido, o juiz tem "uma mente doentia".

Trott:
O juiz americano Stephen Trott é referência mundial da delação premiada, trave mestra da investigação da Lava-Jato, e inspiração para Moro. Contra os detratores da delação, afirma que serve para "pescar cardume em vez de peixe". A pena somada dos principais delatores da Lava-Jato ultrapassaria os 300 anos mas graças ao prémio não chega a dez.

UTC Engenharia:
A faturação da construtora cresceu 20 vezes durante o lulismo. Envolvida no escândalo da Petrobras, teve de despedir metade dos 30 mil funcionários.

Veja:
O Partido dos Trabalhadores afirma ser vítima do que chama de PIG (Partido da Imprensa Golpista). Os jornais O Globo e Folha de S. Paulo dizem--se imparciais, O Estado de S. Paulo assumiu preferência por Aécio Neves, em 2014, contra Dilma Rousseff mas foi a Veja, da Abril, o rosto do jornalismo empenhado em apear o PT do poder.

Wesley e Joesley:
Os irmãos Batista, donos da J&F, suplantaram até Marcelo Odebrecht nos depoimentos em que delataram centenas de políticos. Joesley quase derrubou Temer ao gravar uma conversa proibida com o presidente nos porões do Jaburu, a residência oficial deste.

X:
A Operação Arquivo X prendeu o outrora sétimo homem mais rico do mundo: o megalómano Eike Batista, dono do império X, numa alusão à letra presente no nome de todas as suas empresas.

Youssef:
No mensalão, o intermediário Marcos Valério foi punido com a maior pena do processo: 40 anos. Na era da delação premiada, aquele que é o equivalente a Valério no petrolão cumpre meros três anos.

Zelotes:
A Operação Zelotes é, depois da Lava-Jato, aquela com potencial mais destrutivo para os poderosos brasileiros. Investiga favorecimento fiscal a 70 empresas e tem entre os seus réus Lula e Lulinha, um dos filhos do presidente.

Em São Paulo

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