expresso.sapo.ptexpresso.sapo.pt - 17 abr 20:10

Jérôme, o homem com três caras

Jérôme, o homem com três caras

Foi a primeira pessoa em todo o mundo a repetir uma cirurgia plástica facial total. Apesar de a operação ter corrido sem problemas, a sua aparência ainda não sofreu todas as alterações

Jérôme Hamon, 41 anos, já sofreu duas cirurgias plásticas totais na face, tornando-se a primeira vez que uma pessoa se sujeita a tal. O francês é portador de Neurofibromatose, tipo 1, uma doença hereditária benigna que provém de um problema nervoso composto por tumores que se expressam com deformações faciais. Este é o seu terceiro rosto: o primeiro ficou deformado com a doença, o segundo - após a primeira operação - resultou em complicações - e o terceiro resultou desta nova intervenção cirúrgica, agora revelada.

Aos 33 anos, Jérôme enfrentou a primeira cirurgia e foi um sucesso, no entanto teve de fazer um tratamento imunossupressor para que o seu organismo não rejeitasse o transplante. Em 2015, cinco anos depois, a medicação para curar uma constipação revelou-se incompatível com o tratamento imunossupressor. Apenas um ano mais tarde o organismo começou a dar sinais de negação ao transplante.

Entre novembro de 2017 e janeiro de 2018, Jérôme esteve internado no hospital Georges-Pompidou, em Paris. Os tecidos da pele morreram e o transplante teve de ser removido. Hamon ficou cerca de três meses num quarto sem conseguir ouvir, falar e ver alguém até que surgiu um dador compatível.

Laurent Lanieri, o médico cirurgião de Jérôme Hamon, mostra a evolução da face de Jérôme

Laurent Lanieri, o médico cirurgião de Jérôme Hamon, mostra a evolução da face de Jérôme

AFP Contributor

Uma nova imagem no espelho

Segundo o cirurgião plástico António Nunes, a pele é "um órgão que se consegue enxertar sem grandes problemas", a dificuldade do processo é encontrar um dador compatível. Jérôme conseguiu encontrar dois, sendo que no passado mês de janeiro procedeu à segunda intervenção cirúrgica. Este tipo de operação é complexo e apenas se realizaram 40 no mundo inteiro.

Hamon mostra-se positivo na recuperação. "O melhor de tudo é que dizem que rejuvenesci" disse ao jornal "Le Parisen", brincado com o facto de o dador ter sido um jovem de 22 anos. António Nunes diz que o acompanhamento psicológico é essencial antes e depois da operação. O cirurgião defende ser necessário ter um acompanhamento rigoroso por causa da imagem - quando o paciente se olhar novamente ao espelho não irá ver a mesma imagem. "A nossa cara é o nosso B.I.", relembra António, focando que o paciente precisa de se identificar na sua nova aparência. "Tenho uma cara nova, mas é a minha cara!", garante Jérôme.

Apesar de a operação ter corrido sem problemas e de Jérôme se sentir bem, a sua aparência ainda não sofreu todas as alterações. Neste momento ainda não se encontra flexível e não está moldada ao seu crânio, a fala e as expressões são pouco percetíveis. É um longo processo que só começará a normalizar em julho.

Laurent Lantieri foi o médico cirurgião e diz que toda a equipa ficou impressionada com a coragem de Jérôme Hamon.

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