www.sabado.ptFlash - 16 abr 02:54

1974

1974

No dia 25 de abril abriu-se uma importante porta. No entanto, o que fica por fazer não pode ser responsabilidade exclusiva de quem trocou balas por cravos. É responsabilidade de todos. E há muito por fazer.

1923, Santo Antão, Cabo Verde: nascido-para-apanhar-sol.

1942, Cascais, Portugal: candidata-a-escaldões.

1970 (?), Luanda, Angola: na escada do prédio há vozearia porque o patrão se tinha irritado com os funcionários. A responsável do cabeleireiro farta-se daquilo e dirige-se ao escritório do autoritário patrão. Quem é que ele pensava que era? As clientes não tinham de aturar aquilo. Por um lado, continuar a lutar pela igualdade de oportunidades: mantém-se hoje no ADN programático de todos os partidos com assento parlamentar, ainda que com variantes quanto aos caminhos. Há que a aprofundar. Falo por mim. Um país onde há igualdade de oportunidades é uma sorte de que muitos dos que nascem por esse mundo fora não se podem gabar. Mas, por outro, há que não perder valores básicos de civilização que a força do progresso por vezes deixa para trás. Não me refiro ao respeitinho amedrontado ou ao "pobres mas honrados". Simplesmente, estou agora convencido de que estamos a atingir a maioridade que nos permite respeitar porque realmente se acredita no respeito por todos e que nos permite pensar que nada nos impede de ser um pouco mais ricos e honrados.

2018: entretanto, lá no fundo, no fundo, continuarei a sonhar que um dia ainda me lançam num foguete.

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