www.jn.ptAntónio José Gouveia - 17 abr 00:06

Uma nova coligação

Uma nova coligação

O líder do PSD está a tentar uma jogada de mestre: antecipar os trunfos de António Costa para o próximo ano e reivindicá-los como bandeiras suas. No fim de semana, Rui Rio veio pedir aumentos para a Função Pública em 1,4%, num discurso mais bloquista do que a própria Catarina Martins teria feito. Ver Passos Coelho defender tamanha medida seria impossível e este movimento de Rio acaba de vez com a política seguida pelos passistas: a defesa acérrima de menor défice e dos interesses da Banca.

Num discurso em que muitos classificam de populista, o PSD de Rui Rio quer deixar para trás a vinda anunciada e não concretizada do Diabo e pôr um fim nas ajudas do Estado à Banca, seja à Caixa Geral de Depósitos, Novo Banco ou Montepio Geral. Será esta a social-democracia que os militantes estariam à espera em contraste com o neoliberalismo de Passos Coelho? À partida, e retirando a ideologia desta equação, o que pretende Rui Rio é alargar o discurso para o eleitor centrão, aquele que navega o seu voto entre o PS e o PSD, ultimamente esquecido da existência laranja.

Rio já traçou um caminho em que, quando chegarem as eleições legislativas de 2019, será ele a lembrar António Costa que o PSD já está nessa luta há mais de um ano, seja para melhorar a vida dos funcionários públicos, ter metas das contas públicas mais ambiciosas, ou culpar o PS por "desperdiçar" dinheiro com os bancos.

Ironicamente, e pelas bandeiras que atualmente o PSD defende, quem chegasse a este país diria que a verdadeira coligação parlamentar atual é entre PSD, BE e PCP. Seja na defesa dos funcionários públicos, nas críticas ao sistema nacional de Saúde, na baixa de impostos ou nas ajudas à Banca.

Nota: No meu último artigo, dedicado à situação do Novo Banco e aos seus maiores devedores, não fiz, erradamente, uma distinção entre bons e maus devedores. Alertei para o problema das imparidades na instituição e coloquei nesse âmbito empresas que não o estão. Refiro-me ao Grupo Mello, que tem cumprido com as suas obrigações com o Novo Banco e feito um trabalho de redução de dívida muito substancial. Além disso, quando me referi ao acesso ao crédito quase ilimitado de várias empresas ao então BES e ao dinheiro emprestado que nunca foi pago, não deveria incluir o Grupo Mello. Por essa razão, as minhas desculpas aos visados e aos leitores.

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