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Política Cultural. Ministro reitera confiança na directora regional de Cultura do Centro após afirmações polémicas

Política Cultural. Ministro reitera confiança na directora regional de Cultura do Centro após afirmações polémicas

Tutela não vê “qualquer afirmação contra a política do Governo” nos elogios de Celeste Amaro a companhia teatral que “não incomoda” o Estado com pedidos de apoio. Directora regional está perto do fim do mandato.

O ministro da Cultura mantém a confiança na directora regional da Cultura do Centro na sequência dos esclarecimentos que Celeste Amaro prestou sobre os seus polémicos elogios a uma companhia de teatro de Leiria que não pediu apoios ao Estado. “Após a retractação pública feita pela senhora directora regional – estando a senhora directora quase no final do seu mandato –, não consideramos existir matéria que justifique uma acção de demissão”, disse Luís Filipe Castro Mendes esta quarta-feira no Parlamento.

Como noticiou então a Agência Lusa, Celeste Amaro esteve no passado dia 2 na apresentação da programação para 2018 da companhia Leirena, estrutura que considerou exemplar por prosseguir a sua actividade "sem pedir dinheiro" e sem "incomodar a administração central": "Vim cá a Leiria porque, por incrível que pareça, não me pediram dinheiro. Como é possível? Ainda por cima na área do teatro! Foi algo que me tocou bastante." A Leirena, esclareceu o ministro no Parlamento, recebe apoios públicos, mas via administração autárquica.

“Não nos leva a crer que haja [da sua parte] uma depreciação dos grupos de teatro que recebem apoios e subsídios estatais, nem qualquer afirmação contra a política do Governo de apoio às artes, e nesse sentido consideramos que não há aqui uma falta que justifique uma acção qualquer sobre a funcionária, independentemente da felicidade ou infelicidade das afirmações proferidas”, argumentou o ministro na Comissão Parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, respondendo aos deputados. Ana Mesquita, do PCP, frisou que a opinião de Celeste Amaro representa uma “visão insultuosa” dos agentes culturais; já Jorge Campos, do Bloco de Esquerda, insistiu que o seu partido “vai pedir a demissão” de Celeste Amaro. O PCP pediu entretanto a audição da directora regional no Parlamento, já aprovada pela Comissão Parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto

Já no passado fim-de-semana, em Itália, o ministro dissera que as declarações da directora regional “não têm a gravidade que lhe estão a atribuir”. Esta quarta-feira, perante os deputados, acrescentou que "a senhora directora regional de Cultura do Centro já esclareceu junto da tutela as [suas] afirmações e retractou-se da posição – na medida em que disse não era sua intenção pôr em questão as companhias que recebem apoios públicos, apenas louvar aquele teatro de Leiria”. O Leirena Teatro já esclareceu em comunicado que trabalha com "inúmeras dificuldades" e que pretende candidatar-se ao próximo quadro de apoios públicos, tendo convidado Celeste Amaro para estar presente na apresentação do seu programa de actividades em "desespero de causa".

As declarações de Celeste Amaro motivaram também uma petição, posta a circular na passada quinta-feira, que exige à tutela a demissão da directora regional de Cultura do Centro. Entre os seus 1206 subscritores estão vários dos responsáveis pelos principais equipamentos culturais da região: António Augusto Barros, da Escola da Noite, Isabel Craveiro, d'O Teatrão, Fernando Matos Oliveira, do Teatro Académico de Gil Vicente, e Paula Garcia, do Teatro Viriato.

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