blitz.sapo.ptDavid Serras Pereira - 14 mar 13:48

Frescas da indústria: igualdade de género, ciência e o relatório musical de 'nuestros hermanos' (e nós?)

Frescas da indústria: igualdade de género, ciência e o relatório musical de 'nuestros hermanos' (e nós?)

Spotify aposta na promoção da igualdade de género na música. E, noutro campo, os espanhóis dão o exemplo

Aproveitando o Dia Internacional da Mulher (no passado dia 8 de março) e sabendo que devíamos fazer desse dia todos os dias, o Spotify avança com mais uma novidade pioneira na indústria. Se em boa verdade muitas das iniciativas que lançam e o seu próprio modelo de negócio estão sujeitos ao risco associado a serem first movers, também delas retiram o chamado first mover advantage: que outra empresa descobriu um blue ocean como o do streaming da forma que o Spotify o fez? (goste-se ou não). De qualquer forma, falemos de igualdade de género, e do que o Spotify e a Smirnoff decidiram criar, e bem!

Foi anunciado esta semana que o Spotify se associa a uma campanha de marketing chamada Smirnoff Equalizer, que nasceu da constatação de que o top 10 das músicas mais ouvidas em 2017 no Spotify foi ocupado integralmente por homens. Esta iniciativa enquadra-se no projecto Smirnoff Equalizing Music, que visa promover uma maior uniformidade na igualdade de género nas discotecas e festivais, em conjunto com a Indústria da música, até 2020. Permite que os utilizadores entrem no site criado pela Smirnoff e que o seu perfil de consumo musical seja avaliado, demonstrando se ouviram mais homens ou mulheres nos últimos 6 meses. Posteriormente, permite criar uma lista de reprodução igualitária, com um misto de músicas de artistas dos dois géneros. Interessante e diferente, e a música mais uma vez na vanguarda da igualdade!

Universal na vanguarda utiliza ciência para nos adormecer como bebés

Para além da música nos guiar na igualdade de género, também quer aliar-se cada vez mais à ciência e retirar dela as inovações que, obviamente, permitam que se mantenha na vanguarda da inovação, e uma maximização dos targets fugindo aos consumidores tradicionais. Foi assim que a Universal anunciou a criação do álbum “Sleep Better”, descrito pela editora como “the world’s first sleep album led by scientific research” e que estará disponível em CD, nas plataformas de streaming (onde as playlists de sono atingem números de subscritores megalómanos) e com uma app própria na iOS e playstore. E quem melhor para ser a mente e música do álbum do que Tom Middleton, músico, produtor, cientista psicoacústico e coacher na ciência do sono. Se quiserem adormecer depois de ler esta monótona opinião podem dar um saltinho aqui.

Nuestros hermanos criam relatório topo sobre indústria (e nós, onde estamos?)

Já sabemos, e é 100% verdade, que Espanha é um dos grandes players na indústria da música a nível europeu e com uma peso enorme a nível global com a ligação umbilical a todo o mercado da América Latina e Estados Unidos. Bastaria perceber que os maiores sucessos nas plataformas de streaming, e não só, vivem e são cantados na língua de Cervantes, ou que Enrique Iglesias continua a ser cobiçado pelas maiores editoras mundiais (da Universal passou para a Sony) e sempre com o futuro em aberto (se lermos o processo movido por ele próprio contra a Universal, no caso das royalties de streaming, percebemos a money machine que é), para olharmos para o país ao lado com o um exemplo a seguir. Poderíamos perceber que o mercado ibérico aqui ao lado tem sede, chegando muito mais longe do que apenas à velha península.

Mas a pedra de toque chegou através de uma colaboração entre a IndustriaMusical.es e a BIME (Bizkaia International Music Experience) que se materializou num relatório fabuloso sobre a indústria e que nos deixa com água na boca para que venha a fazer-se algo parecido nosso mercado. Basicamente, é um documento muito bem feito que analisa, estuda e promove a indústria da música com um foco muito especial no mercado espanhol. Se têm tanta água na boca para lê-lo (como eu tive assim que o vi) passem por aqui e percebam como a união faz a força. Quando é que nos vamos sentar, falar, analisar e produzir um documento destes focado em Portugal? Estes bons ventos de Espanha podem ser o offshore para uma boa ondulação na indústria da música em Portugal, mas será que temos a prancha à mão ou ficamos em casa porque está a chover?

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