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Lisbon Summit: “Os bancos estão receosos e devem estar: nem todos sobreviverão”

Lisbon Summit: “Os bancos estão receosos e devem estar: nem todos sobreviverão”

A frase foi dita por Nuno Fernandes, diretor da Católica Lisbon School of Business and Economics e professor catedrático de Finanças, num painel sobre a relação entre os bancos tradicionais e as fintech, que meteu analogias com o mundo animal. “Irão os elefantes esmagar as formigas ou estas vão ultrapassar os elefantes?”, questionava o professor de banca e finanças Azzim Gulamhussen

A metáfora foi introduzida por Azzim Gulamhussen para responder à pergunta “Vão as fintech ultrapassar os bancos tradicionais?” O provedor e professor catedrático de banca e finanças na Vlerick Business School, em Bruxelas, compara as fintech às formigas (“pequenas, mas ágeis”) e os bancos aos elefantes (“tradicionais, mas pesados”), para questionar: “Irão os elefantes esmagar as formigas ou estas vão ultrapassar os elefantes?” E dá uma resposta: “Por vezes as formigas vão ganhar, outras vezes serão os elefantes, às vezes serão os dois.”

Mas o diretor da Católica Lisbon School of Business and Economics acrescenta que “o mundo mudou” e que a partir de 2008 “os bancos passaram de elefantes a tartarugas”. O professor de Finanças, que falava esta quarta-feira durante a Lisbon Summit, em Cascais, sublinha que depois da crise financeira e económica registou-se uma “mudança fundamental”. “O setor bancário sempre foi muito bem protegido durante décadas, mas os clientes não”, aponta. “Agora as pessoas perceberam isso.”

“O bancos continuarão a existir, mas poucos”, remata, completando uma ideia que já tinha apresentado anteriormente: “Os bancos estão receosos e devem estar receosos: nem todos sobreviverão.”

Para conseguirem sobreviver, os vários atores no setor dos serviços financeiros terão de apostar nas competências - e estas, acredita Nuno Fernandes, precisam de mudar para a maioria dos bancos. “É preciso competências de cooperação, aversão aos risco, essencialmente soft skills”, indica. Mas há o risco de não o conseguirem: “Os estudantes de topo já não querem trabalhar nos bancos: é isto que tenho ouvido no mercado.”

Matteo Rizzi, fundador da conferência FinTechStage, completa a ideia de Nuno Fernandes: “Se continuarmos a contratar o mesmo tipo de pessoas, acabamos no mesmo sítio. É preciso contratar pessoas diferentes.” E isso acontece nos bancos? Azzim Gulamhussen gageja, mas acaba por reconhecer: “Ainda não...”

Cooperação, competição ou coopetição?

A colaboração entre os bancos e as fintech é apontada pelos vários oradores como essencial para o futuro da inovação nos serviços financeiros. “A colaboração é a chave”, diz Maria Benjumea, fundadora da Spain Startup - South Summit. Através dela, as instituições tradicionais podem completar o fosso de talento e tecnologia e as fintech ganhar “estrutura para desenvolver o negócio”.

Outros, como Matteo Rizzi, preferem a palavra “coopetição”, um misto entre cooperação e competição. “Quando começaram a surgir, as fintech diziam que iam acabar com os bancos”, conta. “Agora têm um discurso completamente diferente, falam mais em coopetição do que em competição.”

A chave para criar um ecossistema de inovação nos serviços financeiros pode estar na inclusão dos reguladores neste processo, acreditam os oradores. “Precisamos de ter o mercado e os players a cooperar, incluindo os reguladores, para criarmos um ecossistema de inovação”, defende Bruno Ferreira, sócio da PLMJ, especializado em direito financeiro e bancário.

O advogado especializado em direito financeiro e bancário aponta o exemplo do Reino Unido, onde a Financial Conduct Authority (FCA) tem colaborado com empreendedores para ajudar a estimular a inovação. “Isto ajuda a startups a ver se os seus modelos funcionam e como os podem adaptar à regulação, mas também ajuda o regulador a ultrapassar o fosso de conhecimento”, explica, referindo que em Portugal, apesar de alguns passos positivos por parte da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e Banco de Portugal, os reguladores “não têm conhecimento suficiente para analisar inovações como a blockchain”.

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