blitz.sapo.ptblitz.sapo.pt - 13 mar 15:33

Há mais ecstasy nos esgotos de Lisboa. E há pelos menos quatro razões possíveis para isso

Há mais ecstasy nos esgotos de Lisboa. E há pelos menos quatro razões possíveis para isso

Facto: a quantidade de ecstasy presente nas águas residuais em Lisboa aumentou nos últimos dois anos. Perfilam-se várias hipóteses que podem explicar a escalada dos valores

Lisboa foi a nona cidade europeia que apresentou maior quantidade de ecstasy nas águas residuais em 2017, noticia o Expresso. Cada grupo de mil pessoas terá usado 38,3 miligramas (mg) por dia, valor que representa um aumento de 42,4% entre 2016 e 2017, segundo dados do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT), que desenvolveu um estudo que avalia o uso de drogas ilícitas em 56 cidades europeias de 19 países, partindo da análise das águas dos esgotos dessas cidades.

De acordo com o Expresso, João Goulão, presidente do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), considera que este aumento pode estar relacionado com o facto de as amostras em Lisboa serem recolhidas na estação de tratamento de águas residuais (ETAR) de Alcântara, que serve a maior zona de diversão noturna de Lisboa, o Bairro Alto.

Segundo Álvaro Lopes, investigador na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (FFUL) que participou neste estudo, há mais “três cenários hipotéticos” que poderão explicar o incremento. Por um lado, pode haver “mais pessoas” a consumir esta droga. Por outro, o aumento pode significar que o grau de pureza da substância é “superior” e, por isso, aparece em maior quantidade. Resta a possibilidade de esta droga poder estar a ser consumida em “maior quantidade” pelos mesmos utilizadores do ano passado.

Almada e Porto, outras cidades portuguesas analisadas, mostram resultados distintos entre si: na cidade da margem sul do Tejo também houve um salto nos números de ecstasy; na Invicta os números não registam alteração significativa no mesmo período de análise.

Amesterdão surge neste estudo em primeiro lugar: em 2017, na capital holandesa, cada grupo de mil pessoas usou 230,3 mg de ecstasy por dia. O consumo nesta cidade, medido através da presença da substância na urina, também tem vindo a aumentar: entre 2015 e 2017 subiu 38,6%.

O ecstasy foi uma das quatro drogas encontradas nas águas residuais de aproximadamente 43 milhões de pessoas, sendo as outras três a cocaína, as anfetaminas e metanfetaminas. O uso da cocaína, a mais frequente das quatro, tem vindo a crescer nas três cidades portuguesas.

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