observador.ptobservador.pt - 15 fev 12:07

Homem da “geringonça” faz um aviso ao atual PSD (e outro ao PSD do futuro)

Homem da “geringonça” faz um aviso ao atual PSD (e outro ao PSD do futuro)

Pedro Nuno Santos escreveu um artigo de opinião a distanciar o seu partido do PSD, mesmo com uma nova liderança. E também se demarca face ao PSD que pode vir a ter que combater no futuro.

A dois dias do congresso do PSD, o homem que faz a gestão da “geringonça” no terreno escreveu um artigo de opinião onde deixa um aviso para os tempos mais recentes e outro a apontar para eventuais combates futuros. Pedro Nuno Santos começa por sublinhar, à porta do congresso que entroniza Rui Rio como o novo líder social-democrata, que o PS “deixou de estar obrigado a governar com a direita”. Depois, também critica a uma moção particular, das 20 que vão a debate neste congresso.

A começar por Rio: o aviso de um dos maiores defensores da atual solução governativa surge depois de o novo líder do PSD ter assumido, na campanha interna, estar disponível para apoiar um governo minoritário do PS. No artigo de opinião que escreveu no Público esta quinta-feira, Pedro Nuno Santos nunca refere esta abertura da nova liderança social-democrata, mas traça o caminho que quer ver trilhado pelo seu próprio partido nesta matéria. “Este Governo e esta maioria estão a mostrar que é possível viver melhor em Portugal e a imprimir mudanças profundas nas políticas públicas”, escreve, para logo a seguir acrescentar que o PS também ganhou com ela: “Aumentou a sua autonomia estratégica. Não está impedido de procurar compromissos alargados em áreas específicas (como as de soberania), mas deixou de estar obrigado a governar com a direita”.

E, neste distanciamento que pretende marcar face ao novo PSD, ainda atira à “pressão para o consenso entre os grandes partidos dos sistemas políticos” e em como ela resultou num “paradigma de reformas estruturais, que se impôs como programa de instituições nacionais e internacionais na defesa da radical privatização de empresas e serviços públicos, liberalização de mercados (a começar pelo laboral) e desregulação generalizada de atividades económicas”. Pedro Nuno Santos defende o resgate de “conceitos fundamentais para a esquerda” que acusa a “direita neoliberal” de se ter apropriado. Caso do termo “reformas”, que para o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares “têm de voltar a significar o que sempre significaram para nós: progresso social, concretização de direitos e aumento de bem-estar”.

Mas a parte mais curiosa do artigo de opinião deste socialista é a que remete para o futuro. Pedro Nuno Santos é apontado, dentro do PS, como uma das figuras com pretensão de ascender à liderança do partido (algures no pós-costismo) e entre as 20 moções temáticas que vão a discussão neste congresso do PSD, escolheu uma para criticar: a subscrita por Pedro Duarte e Carlos Moedas. Ambos nomes que, dentro do PSD, são também vistos como possíveis soluções para liderar o partido no longo prazo.

No artigo entitulado “Os desafios da social-democracia”, Pedro Nuno Santos diz que há uma moção que “arrisca apontar um caminho: ‘Combater a Desigualdade’, subscrita por Pedro Duarte e Carlos Moedas”, dizendo que o texto “tem o mérito de elencar preocupações legítimas e desafios essenciais a que todos teremos de responder”. Mas logo de seguida diz que o caminho que é apontado está “assente em contradições insanáveis, coloca em causa avanços civilizacionais em nome de soluções falsamente inovadoras e/ou mágicas”.

Na moção, os sociais-democratas questionam��a progressividade fiscal e admitem a criação de um rendimento básico universal. Pedro Nuno Santos defende a progressividade, que “não serve só para redistribuir dinheiro: pelo nexo de deveres que impõem e direitos que financiam, os impostos ajudam a construir a comunidade política”, diz. E considera que o rendimento básico “reduziria a dinâmica de reciprocidade de que vive uma comunidade e produziria uma sociedade atomizada”. Aliás, o socialista ataca mesmo as duas ideias, dizendo que “é o velho liberalismo económico renovado e intensificado”.

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