www.jn.ptCristina Azevedo - 15 fev 00:00

Portugal 2030 - Aldeias Pedagógicas

Portugal 2030 - Aldeias Pedagógicas

Ainda com muito para andar no que toca a cumprir aquilo que prometemos a Bruxelas para 2020, já é tempo de começarmos a pensar no Portugal 2030.

Não sendo um exercício fácil, ganharia em minha opinião se fosse encarado com sentido prático e memória viva.

Nada de decidir que os problemas do país se resolvem predefinindo grandes quantidades de investimento para a formação das pessoas (como no tempo do QREN) ou para a competitividade das empresas (como no Portugal 2020).

Pessoas e empresas, ambiente e mobilidade, interior e litoral, cidades e campo, todas as chaves são úteis e todas podem contribuir para uma trajetória de convergência com a UE, objetivo último dos fundos comunitários.

Há certamente prioridades e há igualmente excelentes grandes e pequenos exemplos a replicar.

A economia e o ambiente impõem a necessidade de melhorarmos radicalmente os modos de transporte de mercadorias bem como o transporte coletivo de passageiros. O atraso já conhecido na execução do plano de investimentos para a ferrovia obrigará certamente a uma significativa alocação de fundos a esta componente. Talvez passe, finalmente, a desígnio nacional.

Por outro lado, não poderemos esquecer as necessidades do setor educativo. Dificilmente acomodáveis no orçamento nacional, as escolas e universidades deverão continuar a poder ser alvo de investimento significativo sobretudo nas componentes mais exigentes do conhecimento que implicam infraestruturas e equipamentos de alto valor acrescentado e recursos humanos com necessidades de financiamento longas e estáveis.

Se, como ao génio da lâmpada, pudéssemos apenas escolher mais um desejo, o interior surgiria certamente como plano de trabalho obrigatório e exigente.

Devemos alocar-lhe recursos, mas, sobretudo, impor um processo criativo de recuperação que passa por conhecer e por dar a conhecer, por experimentar e por escalar.

Quais as iniciativas que estão a ser desenvolvidas com sucesso e que podem ser replicadas com escala? Como garantir que façam parte à cabeça dos próximos exercícios de planeamento?

Tal como estão as coisas, projetos tão interessantes como o que deixo em título (e a que voltarei) só nos aparecem no fundo da cascata, escondidos pela distância aos grandes centros e aparafusados a um dos braços da geringonça (esta literal) em que sempre transformamos a operacionalização dos fundos comunitários.

* ANALISTA FINANCEIRA

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