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Agravamento do défice comercial português é dos maiores da Europa

Agravamento do défice comercial português é dos maiores da Europa

Em 2017, Malta teve o maior défice comercial da Europa, com 27,1%. Portugal tem o sétimo maior da zona euro (7,2%). Maior excedente é o irlandês, com 15,5%.

O défice comercial de Portugal (comércio de mercadorias ou bens) é dos mais elevados da Europa em percentagem do produto interno bruto (PIB) e foi dos que mais aumentou em 2017, de acordo com cálculos do Dinheiro Vivo com base em dados do Eurostat divulgados esta quinta-feira.

Como o INE já tinha revelado, as exportações subiram 10% em 2017, mas as importações aumentaram mais (12%), o que resultou num agravamento do défice comercial, isto é, na dependência do país em relação a produtos e tecnologias importados.

O peso das exportações de bens no PIB alcançou 28,5%, o maior valor de que há registo. Mas as importações alcançaram o segundo maior pico da série também (que remonta a 1995), com um peso de 35,7%.

Bens como petróleo bruto e gás natural, produtos químicos, metais de base, veículos automóveis, produtos informáticos, eletrónicos e óticos e produtos alimentares foram os que mais contribuíram para a forte expansão das importações, a maior em 17 anos (desde 2000).

O Eurostat vem agora mostrar que, em comparação com os restantes parceiros da zona euro, Portugal tem a quarta maior deterioração relativa do défice comercial (em percentagem do PIB), o equivalente a 1,3% do PIB, ou seja, um aumento de 2,6 mil milhões de euros nesse desequilíbrio.

Os países que mais pioraram a sua posição comercial foram Chipre (agravamento equivalente a 3,7% do PIB), Bulgária (3%), Letónia (2,6%), Roménia (1,6%), Grécia (1,6%) e Portugal (1,3%). Bulgária e Roménia não integram o clube do euro. Na Europa (UE) a 28 países, o agravamento nacional é o sexto mais elevado.

Pelo contrário, Holanda, Reino Unido e Finlândia foram as economias que mais aumentaram o seu saldo comercial em 2017 (1,4% do PIB, 1,3% e 0,4%).

O saldo comercial é a diferença entre exportações e importações de bens. Nesta lista, a Irlanda surge como o país mais positivo, com um excedente que vale 15,5% do seu PIB. Logo a seguir surge a Holanda, com 9,6% e a Alemanha com 7,6%.

Os saldos altamente excedentários também são alvo de alertas por parte da Comissão Europeia no âmbito do semestre europeu por serem eles próprios geradores de desequilíbrios macroeconómicos, podendo destabilizar o funcionamento da economia europeia.

Malta, Chipre, Croácia e Grécia são os países mais negativamente desequilibrados, com défices de 27,1% do PIB, 26,8%, 15,9% e 12%, respetivamente. Na zona euro (19 países), Portugal tem o sétimo défice mais negativo, cerca de 7,2% do PIB.

Em todo o caso, o quadro final do comércio externo deverá aparecer mais benigno dentro de dias, quando a estes números se juntarem os da balança de serviços, onde pontuam os casos notáveis do turismo e dos transportes (aviação comercial, por exemplo).

O Banco de Portugal divulgará esses dados relativos ao fecho de 2017 no próximo dia 21. É altamente expectável que os serviços salvem a face do comércio internacional português, tornando a balança final positiva, como tem acontecido nos últimos anos.

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