www.jn.ptRafael Barbosa - 15 fev 00:01

Agregar e inspirar

Agregar e inspirar

Agregar os de dentro, inspirar os de fora. Foi a Pedro Duarte que se ouviu, por estes dias, a melhor síntese sobre quais devem ser as prioridades de Rui Rio a partir do próximo fim de semana, quando assumir a liderança do PSD. A ideia é simples, a execução quase impossível.

Repare-se na primeira premissa, agregar os de dentro. Num partido como o PSD (como aliás no PS), isso é fácil quando se está no poder, ou quando a clientela partidária percebe que é uma aspiração realista. Não é esse, no entanto, o cenário atual. Não é absurdo prever - a manterem-se os contextos atuais de crescimento económico e de paz social - que o PS e António Costa acabem até por reforçar o seu peso eleitoral e político. E isso significa que os muitos rivais e inimigos de Rui Rio dentro do partido farão o que puderem para desagregar.

Basta olhar para a rábula da escolha do novo líder parlamentar para perceber que Rui Rio terá muita dificuldade para encontrar um antídoto contra a "tralha passista" que recebe como herança. A hostilidade da bancada parlamentar já não se manifesta através de fontes não identificadas, como era habitual, é assumida com a frontalidade de quem sabe que não pode ser derrotado. A nível interno, como diz o empresário Alexandre Soares dos Santos, que não domina as particularidades da máquina partidária, mas conhece bem os meandros do poder, "Rui Rio não vai ter tempo para nada, vai passar o tempo à pancada dentro do partido".

Então e quanto à segunda premissa, inspirar os de fora? Mesmo que isso fosse possível sem antes agregar os de dentro, o antigo presidente da Câmara do Porto terá também aqui uma tarefa que pode estar acima das suas capacidades. E será mais difícil a cada dia que passa, tal é a sequência de boas notícias. Ontem mesmo se ficou a saber, por exemplo, que a economia registou, no ano passado, o maior crescimento (2,7% do PIB) desde o início do século.

Para além da percentagem de eleitores que será sempre fiel ao partido, quem sobra para inspirar? Os reformados viram as suas pensões repostas e atualizadas. Poucochinho é melhor do que perder poder de compra. Os funcionários públicos idem e já tratam de negociar progressões na carreira (e nos respetivos salários). O desemprego desce. Os trabalhadores pagam agora menos IRS (ainda que a troco de mais impostos indiretos). Até empresários insuspeitos de tentações esquerdistas estão satisfeitos com o Governo e a sua geringonça. Cito outra vez Soares dos Santos: "Confesso: não gostei, na altura. Mas, pelo menos, estamos com um governo estável, coisa raríssima em Portugal (...) Não acho que esta solução seja má para o país".

* EDITOR-EXECUTIVO

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