www.jn.ptEmídio Gomes - 14 fev 00:00

As empresas e os desafios da OCDE

As empresas e os desafios da OCDE

O relatório da OCDE sobre a ciência e o ensino superior diz o que já se esperava neste domínio, confirmando a necessidade de se continuar a reforçar o caminho que pode levar o país a um desenvolvimento sustentável, pelo aumento significativo de investimento nestes setores, seja através das infraestruturas mais ligadas às instituições, ou pelo reforço significativo do investimento das empresas em ciência e inovação.

Ao contrário do que aconteceu com o relatório de 2007, a OCDE não avaliou desta vez apenas o ensino superior, mas também o sistema científico e de inovação. Revela agora algo identificado como um óbice faz tempo, que o país tem falta de uma estratégia concertada, fazendo notar que há muitas vezes um conjunto de medidas desarticuladas e inconsistentes de apoio a estes setores, o que tem como consequência uma duplicação de esforços, medidas inconsistentes e distintas formas e fontes de financiamento.

Numa reflexão pública sobre a importância da ciência e da inovação no desenvolvimento económico, promovida pela administração do presidente Obama, foi colocada a interrogação do porquê de os USA estarem a aumentar o seu diferencial de competitividade e benefício financeiro per capita, apesar de a Europa e o Japão estarem e crescer mais em termos de indicadores de números de doutorados e artigos científicos? A conclusão foi clara e assertiva, evidenciando que hoje em dia mais importante do que o local onde se produz ciência, é a presença de redes de empresas, de empreendedores, de fontes de capital, de capacidade de cross-selling, de lançamento de novos produtos no mercado e sua distribuição, que determina a capacidade da sua utilização e transformação em valor para a sociedade. As empresas perceberam bem e em tempo esta situação, captando e utilizando conhecimento onde ele se mostrou disponível. E daí resulta que se não temos mais interação da universidade com a indústria, tal deve-se também ao facto bem simples de as empresas estarem muitas vezes bem à frente em termos de conhecimento específico.

Em Portugal, as empresas cumpriram bem o seu papel nos últimos anos e sabem que caminhos percorrer. As políticas públicas só têm que ter as opções corretas no apoio à consolidação da sua capacidade de investimento em conhecimento e recursos humanos qualificados.

Se não temos mais interação da universidade com a indústria, tal deve-se também ao facto de as empresas estarem muitas vezes bem à frente em termos de conhecimento específico.

* PROF. CATEDRÁTICO, VICE-REITOR DA UTAD

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