Perseguir, agredir verbal e fisicamente, controlar mensagens, telefonemas e páginas das redes sociais, pressionar para ter sexo. Seria de pensar que é uma lista de comportamentos que, em 2018, a maioria dos portugueses considera inaceitáveis. Acontece que, mesmo no namoro e entre os mais jovens, estas são na verdade situações encaradas com absoluta normalidade. Há duas semanas, dava-se eco de um relatório arrasador para o Estado, que mostrava como, em poucos dias, falhas básicas das entidades oficiais tinham acabado na morte de pelo menos duas mulheres, vítimas de violência doméstica, a quem a ajuda pedida não chegara. As estatísticas mostram que mesmo 18 anos corridos desde que este se tornou crime público não há denúncias suficientes, de vítimas ou de terceiros. Por falta de meios de subsistência, por vergonha ou simplesmente por quererem acreditar que as coisas vão mudar, as vítimas de ameaças, de ofensas e de outras agressões, é sabido, continuam a demorar demasiado tempo a denunciar os agressores.