tribunaexpresso.pttribunaexpresso.pt - 14 jan 14:40

E o treinador e o jogador do futuro são....

E o treinador e o jogador do futuro são....

Quando se muda de ano criam-se sempre novas expectativas. Queremos saber o que aí vem e quem serão os grandes protagonistas das mudanças que se seguem. Os velhos dão invariavelmente lugar aos novos, costuma dizer-se, e foi isso mesmo que pedimos para fazer aos nossos consagrados das mais variadas áreas. No futebol, pedimos a Manuel José e António Simões para nos darem pistas para o que aí vem
Marco Silva Manuel José, treinador de futebol

Manuel José, treinador de futebol

Tenho muito clara a ideia de quem será o futuro treinador de top do futebol português: Marco Silva, atual técnico do Watford, da Liga Inglesa. É um treinador muito jovem, que fez um percurso célere no Estoril Praia. Daí, saltou para o Sporting, onde fez um excelente trabalho e foi uma pena não o terem deixado continuar — houve um conflito entre ele e o presidente do Clube.

Assinou uma cláusula no Sporting que quase o castrou. Se ele tem saído para o Futebol Clube do Porto, que o cobiçou, a história poderia ter sido outra... Depois, foi para a Grécia, para o Olympiacos, onde foi campeão tranquilamente, e seguiu para a Liga Inglesa (Hull City), na época passada. Quanto a mim, fez uma má opção, porque foi treinar uma equipa que estava para baixar de divisão — mas isso não retira mérito ao treinador.

Esta época, teve um início fulgurante, com uma equipa que esteve em 4º lugar e agora está em 10º. Quanto a mim, tem de medir melhor os clubes para onde vai. Não é um treinador que joga para o resultado — joga para uma boa partida de futebol, com um futebol ofensivo e moderno. Dá confiança a cada um dos seus jogadores, retirando assim o melhor deles. Tem uma liderança tranquila. Tenho respeito e admiração por ele. Será uma questão de tempo até saltar para um grande clube.

Gelson Martins António Simões, jogador de futebol

António Simões, jogador de futebol

De todos os jogadores jovens, o que mais me impressiona e aquele de quem mais gosto é o Gelson. Gosto do estilo, parece-me ser um jogador à antiga, do meu tempo, que não tem receio, vai para cima do defesa, arrisca com segurança ou sem segurança, faz o um contra um com rede ou sem rede, não importa, desequilibra constantemente. Cada vez que ele pega na bola há sempre alguma coisa que acontece.

Tem todas as condições para ser um extremo que vai fazer furor, não tenho dúvidas nenhumas. Ainda tem um caminho para percorrer, não tanto de aprendizagem, mas mais de maturidade, mas é um grande jogador. Na próxima década, penso que será aquele que mais vai despontar. É verdade que há outros, como o Bernardo Silva, mas este parece-me melhor. Cada vez gosto mais dele. Da forma como joga, joga em Portugal, em Espanha, em Inglaterra, joga em qualquer país, porque ele joga o jogo independentemente do estilo ou da cultura do país. Tem autoconfiança, que é uma coisa muito importante num jovem, é desinibido, para ele o jogo é um entertainment, e depois, para a idade que tem, já revela responsabilidade da sua função.

Mas ele tem outro predicado: vai muito além da sua própria função, é um jogador de multiplicidade de funções. A dinâmica do jogo a isso obriga e ele já o percebeu. Estou plenamente convencido que não vai ficar muito tempo em Portugal, porque é um desequilibrador, um grande driblador, capaz de dar uma sapatada no jogo. Tem a consciência do passe e uma grande capacidade de drible.

É deixá-lo jogar, que ele faz depois tudo o resto. Não é um goleador, mas é um grande jogador e é também um grande pensador. Tem outro requisito fantástico que é o último passe, a última decisão. E isso é fundamental. Há quem faça tudo muito bem e depois não chega lá, não finaliza ou não dá a alguém para finalizar. Então, isso é igual a zero.

Mas este rapaz tem a inteligência, a cultura de perceber qual é o momento de passar, e faz assistências extraordinárias. Às vezes não dá o último toque, mas fez tudo até ao último toque, é preciso olhar para isso também. Sobre esse aspeto é o melhor de todos. Há quem tenha a tentação de ser o herói do jogo e este miúdo não a tem. Ele quer ter a satisfação pessoal de jogar bem e ganhar e há quem tenha só a satisfação de jogar bem e não se importe de ganhar, põe-se sempre em primeiro lugar. Ele não mostra nada disso. Consegue ser muito desequilibrador e ter um grande conceito de equipa. Se fosse treinador dele estava encantado.

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