expresso.sapo.ptexpresso.sapo.pt - 14 jan 13:54

"Visita à Venezuela foi imprescindível", diz Santos Silva

"Visita à Venezuela foi imprescindível", diz Santos Silva

Ministro dos Negócios Estrangeiros espera que "canal direto" que foi aberto entre presidência venezuelana e embaixada portuguesa funcione, mas está "muito preocupado" com a situação neste país

O ministro dos Negócios Estrangeiros considerou a sua recente visita à Venezuela como "necessária, imprescindível e positiva". A visita decorreu entre 6 e 9 de janeiro.

Em declarações ao Expresso, Santos Silva disse que esta sua primeira deslocação a este país foi "necessária" porque a comunidade portuguesa "vive momentos difíceis" e tinha de "sentir a importância que o Governo concede à sua situação".

Por outro lado, a visita era também "imprescindível" por causa do último episódio que afeta diretamente os interesses da comunidade: a imposição administrativa de preços abaixo dos custos de produção nos supermercados. A medida, disse, "afeta os interesses básicos dos estabelecimentos portugueses".

As duas principais redes de supermercados na Venezuela pertencem a portugueses.

Segundo o ministro, o caso foi debatido no seu encontro com o Presidente Nicolás Maduro, a quem propôs o estabelecimento de um canal direto entre o Ministério das Relações Exteriores e a Embaixada portuguesa em Caracas, a fim de se encontrarem soluções para o problema.

Por fim, Santos Silva fez um balanço "positivo" da sua visita, porque atualizou a informação e tornou clara a posição do Governo ("precisa, simples e coerente", afirmou) relativamente à situação da Venezuela.

Já hoje, numa entrevista à Antena Um, o ministro declarou-se "muito preocupado" com a situação no país. Santos Silva encontrou-se não só com o PR venezuelano, como com o seu homólogo e o responsável pela pasta económica, bem como com os presidentes da Assembleia Nacional (o antigo e o novo, Omar Barbosa, que tomou posse enquanto o ministro se encontrava no país).

Oposição reúne-se com Governo

No seu ato de posse, Barbosa prometeu, aliás, trabalhar para voltar a unir a oposição, que se encontra muito fragmentada. Está já marcada uma reunião na próxima quinta-feira entre o Governo e a oposição, para tentarem alcançar uma solução para a crise.

As reuniões de diálogo entre Governo e a oposição decorrem desde setembro na República Dominicana, com a participação dos ministros dos Negócios Estrangeiros do México, Chile, Bolívia, Nicarágua e São Vicente e Granadinas.

O Governo venezuelano espera chegar a um acordo que permita acabar com a alegada "guerra económica no país" e leve à suspensão das sanções que os Estados Unidos e a Europa aplicaram contra altos funcionários de Caracas, enquanto a oposição vai insistir em conseguir garantias para a apresentação de candidatos às próximas eleições presidenciais, previstas para 2019.

O regime espera ainda debater a soberania venezuelana e a alegada ingerência estrangeira em assuntos políticos e económicos venezuelanos. Sobre a mesa está também a criação de uma comissão de justiça e verdade sobre a violência no país.

A oposição espera chegar a um acordo que permita libertar os presos políticos venezuelanos e que o Governo aceda à abertura de um canal humanitário para a entrada de alimentos e medicamentos no país.

Em finais de dezembro o Governo venezuelano anunciou a libertação de seis dezenas de presos políticos, entre eles três luso-descendentes.

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