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Fórum Económico Mundial. Merkel pode juntar-se a Macron para choque épico com Trump em Davos

Fórum Económico Mundial. Merkel pode juntar-se a Macron para choque épico com Trump em Davos

Fontes do Governo alemão dizem que a chanceler não descartou a possibilidade de ir ao Fórum Económico Mundial. O Presidente francês espera-a.

A chanceler alemã, Angela Merkel, está a ponderar juntar-se ao Presidente francês Emmanuel Macron no Fórum Económico Mundial em Davos, podendo ter lugar na cidade suíça um choque épico com Donald Trump e a sua visão do mundo.

Tudo indicava que Merkel, que tem estado empenhada em formar um Governo desde as eleições alemãs de Setembro, iria, pela terceira vez consecutiva, faltar à reunião anual de líderes políticos, administradores e banqueiros na cidade dos Alpes. Porém, agora que conseguiu um acordo preliminar para reeditar a Grande Coligação com os sociais-democratas, fontes no Governo alemão avançam que a chanceler poderá viajar para Davos na semana que vem - abrindo caminho para o confronto de duas visões antagónicas do mundo. 

A sua presença assinalaria o regresso de Merkel ao palco mundial depois de ter passado meses no limbo político. Ao afastar-se da ribalta, muitos na Alemanha e no estrangeiro já a viam como carta fora do baralho.

Ir a Davos permitiria que, juntamente com Macron - que discursa a 24 de Janeiro; o Presidente dos Estados Unidos fala a 26 -, reafirmassem o seu compromisso com a reforma da União Europeia depois da saída do Reino Unido, e defendessem os valores da democracia liberal por oposição à "América Primeiro" de Trump.

O porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, foi vago na resposta quando questionado sobre a ida ou não da chanceler à reunião de Davos que tem como tema "Criar um futuro partilhado num mundo fracturado". Estarão na cidade suíça 60 chefes de Estado e de Governo.

Mas depois de chegar ao acordo preliminar com o SPD, as hipóteses de Merkel ir a Davos aumentaram. Fontes alemãs disseram que ainda não foi tomada a decisão final e que Merkel não se quer comprometer antes de saber o resultado do congresso dos sociais-democratas, que no domingo 14 de Janeiro decidem se avançam ou não para a negociação da Grande Coligação. 

Fontes do Fórum disseram estar convencidos de que Merkel ainda pode participar. 

A reunião deste ano será inaugurada pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. Os primeiros-ministros do Reino Unido, Theresa May, Canadá, Justin Trudeau, e israelita, Benjamin Netanyahu, são esperados. Assim como celebridades como a actriz Cate Blanchett e o músico Elton John.

No ano passado, o fórum de Davos teve lugar na semana da tomada de posse de Donald Trump e foi "dirigido" pelo Presidente chinês, Xi Jinping, que assinalou a sua vontade de ocupar o vazio de liderança criado pela mudança de rumo na América.

Desde então, Trump retirou os EUA da Parceria Trans-Pacífico, o acordo de comércio livre com os países asiáticos, anunciou que saía do Acordo de Paris sobre o clima e ameaçou torpedear o pacto que pôs fim ao programa nuclear iraniano.

Entrou numa guerra de palavras com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, provocando medo de um possível conflito. E na semana passada indignou o mundo ao referir-se ao Haiti e algumas nações africanas como "países merdosos", segundo relataram os congressistas que estiveram numa reunião na Casa Branca.

No sábado, 500 pessoas marcharam em Berna, a capital da Suíça, contra a presença de Trump no Fórum de Davos. "Há muito pouca coisa no mundo a unir os países, mas a antipatia por Trump está a ter esse efeito", disse Ian Bremmer, presidente do grupo de consultadoria de riscos Eurasia Group e presença habitual em Davos. "Nos Estados Unidos, ele pode ter 40% de aprovação quanto ao que está a fazer. Mas em Davos tem uns 5%".

A visita de Trump será a primeira de um Presidente dos Estados Unidos desde a participação de Bill Clinton, em 2000 (Ronald Reagan participou através de vídeo e Barack Obama nunca foi). Vai acompanhado por uma larga delegação que se espera inclua o genro Jared Kushner, o secretário do Tesouro Steve Mnuchin e o secretário de Estado, Rex Tillerson.

Merkel tem uma relação gelada com Trump, que durante a campanha eleitoral de 2016 a acusou de "arruinar a Alemanha" ao permitir a entrada de milhares de refugiados das guerras no Médio Oriente em 2015.

Depois da vitória de Trump, alguns meios de comunicação ocidentais disseram que Merkel era o último pilar do liberalismo ocidental. Desde então, a eleição de Macron, um centrista pró-Europa que, como Merkel, apoia o comércio livre e a ordem global, deram-lhe um importante aliado no confronto com Trump.

"Os meus instintos dizem-me que Macron vai fazer um discurso em grande", diz Robin Niblett, director da Chatham House, um think tank em Londres. "Ele não se vai limitar a falar da Europa. Ele vai tentar pôr o manto do mundo livre debaixo da asa da Europa".

Se ao seu lado estiver Merkel, que já foi sete vezes a Davos desde que chegou à chancelaria, em 2005, a mensagem ressoará ainda mais alto.

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