expresso.sapo.ptexpresso.sapo.pt - 14 jan 18:00

Há duas propostas de escolas privadas para cursos de Medicina

Há duas propostas de escolas privadas para cursos de Medicina

CESPU tenta pela quinta vez, Universidade Europeia também entrega pedido e Católica ainda aguarda

Há mais de dez anos que várias instituições de ensino privadas tentam, sem êxito, abrir um curso superior de Medicina e as tentativas prosseguem: em cima da mesa da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) estão neste momento dois pedidos para outros tantos mestrados integrados no próximo ano letivo: um da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário (CESPU) e outro da Universidade Europeia. Já em relação ao já anunciado projeto da Universidade Católica Portuguesa (UCP), o pedido de acreditação prévia à A3ES — e de cuja autorização depende a entrada em funcionamento de qualquer curso superior em Portugal — ainda está a ser trabalhado e não há data definida para a sua apresentação, informa a Católica.

De todas as instituições que têm tentado a autorização, a CESPU, que gere três estabelecimentos de ensino superior em Paredes e Vila Nova de Famalicão, todos ligados à área da saúde, é a que pede há mais tempo e mais vezes. “Julgo que a proposta que apresentámos em outubro do ano passado foi a quinta”, recorda António Almeida Dias, presidente da cooperativa e também ele médico. A última vez que tinham tentado fora no ano anterior.

“A nossa proposta de 2016 já tinha sido avaliada positivamente na maioria dos aspetos. Agora melhorámos tudo o que era possível melhorar. Se voltar a ser chumbada as razões só podem ser políticas”, afirma, remetendo para a posição oficial da Ordem dos Médicos que tem rejeitado a abertura de mais cursos de Medicina.

Alberto Amaral, presidente da A3ES, explica que na origem da recusa dos vários pedidos têm estado sobretudo critérios de qualificação do corpo docente e dos recursos hospitalares que, naturalmente, terão de estar associados à instituição de ensino. Almeida Dias tem outra opinião: “O principal argumento é o de que não há necessidade de formar mais médicos. Eu pergunto como se há mais de 800 mil portugueses que não têm médico de família e não se encontram profissionais para algumas especialidades?”

A contra-argumentação do presidente do CESPU não fica por aqui: “Não queremos formar médicos apenas para Portugal, mas para o mercado internacional em geral e para os PALOP em particular”, explica, lembrando que as três escolas da CESPU são frequentadas por quase 900 estudantes de vários países da Europa. “Mais de 40% dos nossos alunos são europeus”, garante. Além disso, acrescenta, nenhum outro curso “é rejeitado com base no critério de que não é preciso formar mais profissionais”.

De acordo com o projeto da cooperativa, o mestrado integrado em Medicina tem algumas particularidades: só receberia alunos com formação de três anos em Ciências Biomédicas, e cuja base é semelhante aos anos iniciais de Medicina, e a formação médica seria de quatro anos. A mensalidade rondaria os mil euros, o número de vagas não ultrapassaria as 60 e os centros hospitalares de Vila Real e Trás-os-Montes e do Tâmega e Sousa, além de hospitais privados, assegurariam a formação clínica.

184 pedidos 
de novos cursos

O Expresso também contactou a Universidade Europeia — que pertence à rede Laureate International Universities e que em Portugal comprou o ISLA de Lisboa, o IADE e o IPAM —, mas a instituição não quis dar pormenores sobre o pedido de acreditação que apresentou.

Já em relação à intenção da Católica, o acordo entre as várias instituições parceiras foi formalizado no início do ano passado. A proposta passará por um trabalho conjunto entre a UCP, a Universidade de Maastricht e o Grupo Luz Saúde, com a faculdade a localizar-se no concelho de Cascais.

Mas os pedidos para Medicina são apenas dois dos 184 que foram entregues na A3ES para entrada em funcionamento em setembro. É o número mais baixo desde que a acreditação pela agência passou a ser obrigatória. No entanto, opções não faltam.

Uma consulta aos pedidos feitos revela as apostas do momento, como a área digital — produção de jogos, comunicação ou negócios, por exemplo; a saúde, com vários cursos ligado à nutrição ou a terapêuticas alternativas como a acupuntura e a osteopatia; a análise de dados, com várias propostas de mestrados e doutoramentos ligados à área da big data. Ao todo, universidades e politécnicos, públicos e privados, pediram autorização para 55 novas licenciaturas, 93 mestrados, 9 mestrados integrados e 27 doutoramentos.

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