www.jn.ptMiguel Conde Coutinho * - 13 jan 00:09

#donaldtroprah

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Quanto mais caminhamos em direção a este abismo, quanto mais perto estamos da zona do não retorno, mais difícil é perceber que lá estamos a chegar, especialmente se insistirmos em não ver onde pomos os pés.

Só esta fragilidade da condição humana coletiva pode explicar a histeria permanente em que se vive, o sobressalto mentiroso, a exibição da ignorância como um troféu. A ignorância como conquista. Estamos dentro de uma opressiva mostra de paredes cheias de molduras vazias, com curadoria especial, cortesia da acéfala enxurrada. Nem sequer é acéfala, é bem pior do que isso: tem um cérebro que se decidiu não funcionar. E é uma recusa repetida, funcional, que escolhe conscientemente não pensar e que prefere não pensar a escolher.

Assim se vão fabricando fenómenos diários. O fenómeno, por definição uma exceção, acontece em permanência. Já ninguém anseia por dias excitantes, que nos acometam. Só pedimos um dia sereno - um que seja. Que comunidade saudável pode funcionar assim, em contínua sensação de estado de guerra?

Só neste contexto se pode levar a sério que Oprah Winfrey possa ser candidata à presidência dos EUA. Oprah é certamente mais equilibrada do que Trump. Mas, lamento, são duas faces da mesma moeda: a sociedade da supremacia do espetáculo, do triunfo da autocrática representação sobre a representatividade democrática. É de plástico essa moeda, não vale nada, e não servirá para nos resgatar no dia em que ficarmos sem chão.

* JORNALISTA

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