Um adolescente, com quase dois metros de altura, explicou-me por que razão espera não crescer mais. Não sendo eu propriamente baixo, enumerei-lhe um bom número de vantagens em ser alto, mas a conversa continuou e logo passámos a encontrar desvantagens, como a de ter de me levantar do sofá porque chego com maior facilidade à prateleira mais alta do armário da cozinha (não é, Elisabete?). Algo parecido, mas numa lógica oposta, também acontece com frequência. Não faltam pessoas de baixa estatura que não se importariam de ter mais uns centímetros, mesmo que isso signifique serem obrigadas a levantar-se a meio de um filme ou de um jogo de futebol só porque o assado precisa de ir para o forno e a travessa certa está perto da Lua, ali mesmo junto ao teto. Por falar em astros, neste segundo caso a solução pode estar numa viagem ao espaço. A meio da semana, um astronauta japonês revelou ter crescido nove centímetros. Estava enganado, apenas tinha crescido dois, mas a tendência está cientificamente confirmada - quem passar um tempinho em paisagens de gravidade zero vai mesmo ficar mais alto. Já no primeiro caso, não há remédio, continuando a saga da instrumentalização para fins domésticos de indivíduos com mais de 1,80 m. Deve ser por isso que, nos dias maus, me sinto uma espécie de escada do lar.