Tive de ouvir de novo o discurso de Oprah Winfrey nos Globos de Ouro. Para confirmar o que julgara ter percebido à primeira: não se distingue naqueles nove minutos de alocução qualquer mensagem presidencial. Apenas lugares-comuns, ditos por uma comunicadora treinada e enfatizados pelo olhar embevecido de atores habituados a chorar sem borrar a pintura. Mas a Internet já tinha escolhido. E, por isso, a mulher mais poderosa da América tem de ser candidata contra o homem mais poderoso da América. Oprah versus Trump é apenas o prolongamento de uma atrofia mediática, a resposta, em sentido figurado, a um bárbaro com uma "Barbie". No fundo, bilionário contra bilionário. Porque "the reality show must go on", não é verdade?