www.jn.ptFernando Calado Rodrigues * - 13 jan 00:05

Perseguição declarada e discreta aos cristãos

Perseguição declarada e discreta aos cristãos

Há a tendência para localizar as grandes perseguições aos cristãos nos seus primeiros séculos, promovidas pelo Império Romano. No entanto, hoje mais de 200 milhões de cristãos ainda são perseguidos e não podem professar livremente a sua fé. Durante um ano, entre o dia 1 de novembro de 2016 e o dia 31 de outubro de 2017, foram mortos 3066 cristãos e foram atacados 15 540 edifícios (igrejas, casas e lojas). Estes dados constam do relatório anual da "Portas abertas" ("Open doors"), apresentado esta semana no Vaticano.

Esta organização não-governamental (ONG) foi criada por um missionário holandês conhecido como o irmão André, em 1955, com a finalidade de introduzir bíblias nos países de Leste. Entretanto, especializou--se em apoiar os cristãos em mais de 60 países onde estes são perseguidos por motivos religiosos.

No ano de 2012 foi revista a metodologia da elaboração do seu relatório anual, com vista a dar-lhe maior transparência, objetividade e, por isso, credibilidade. Nesse ano eram cerca de 100 milhões os cristãos perseguidos.

O aumento deve-se não só ao acentuar do fundamentalismo islâmico, mas também ao fundamentalismo hinduísta na Índia. Alguns regimes ditatoriais não permitem igualmente a liberdade religiosa, como o da Coreia do Norte. Este é, aliás, o país do Mundo em que é mais difícil viver a fé cristã segundo o relatório.

As únicas evoluções positivas que são assinaladas no último ano verificaram-se em África (no Quénia e Etiópia) e no Médio Oriente (na Síria), devido ao enfraquecimento do Estado Islâmico. A ONG não refere os países do mundo ocidental (Europa, Estados Unidos e Canadá) onde se assume como um dado adquirido a liberdade religiosa. Nesses contextos verifica-se uma outra forma de perseguição bem mais discreta e insidiosa: a privatização da fé. Restringir a prática religiosa aos templos, combatendo todas as suas manifestações públicas.

Um outro risco que afeta o cristianismo no mundo ocidental é o da contaminação pela cultura utilitarista, individualista e consumista, que o desvirtua e destrói, mesmo quando os próprios cristãos não se apercebem. A par com as perseguições, o consumismo é o grande desafio que os cristãos e as igrejas enfrentam no século XXI.

* Padre

1
1