expresso.sapo.ptBernardo Ferrão - 13 jan 23:39

Até quando aguenta Rui Rio? Uma discussão sem sentido

Até quando aguenta Rui Rio? Uma discussão sem sentido

Rio era o que tinha maior capacidade de provocar danos no Governo. Não por ser um político hábil, popular ou cheio de retórica, mas por ser tão somente novidade. Um velho novo. A mudança que tardava em chegar

Rui .

Um dos fatores que mais beneficiou a governação de António Costa foi a falta de oposição. Com o alegado “assalto ao poder” da Geringonça e com a passagem de Passos à oposição, o PSD entrou numa espiral verdadeiramente recessiva. A falta de comparência permanente dos sociais democratas que teve o seu auge nas autárquicas, permitiram a António Costa não só governar de forma pouco vigiada pela oposição, como também ir ocupando o espaço partidário que o PSD foi deixando vago. Até Marcelo Rebelo de Sousa puxou pelo partido, repetindo vezes sem conta que os governos precisam de oposições-alternativa, mas de pouco valeu. Passos, qual viúva negra, nunca conseguiu de facto despir o fato nem tirar o pin da lapela.

Com Rio as coisas podem mudar, além da expectável subida nas sondagens – que sempre acontece com as novas lideranças -, e que gerará uma dinâmica partidária, o PSD pode pelo menos fazer o que não tem feito: ser a tal alternativa. Não será fácil. A conjuntura é vantajosa para o Governo, Costa segue bem lançado para as legislativas de 2019 e tem um Orçamento eleitoralista q.b. para que os portugueses votem sobretudo com a carteira.

Rui Rio, todos sabemos, não é nem nunca foi político de cultivar amizades - no seu discurso de vitória fez questão de deixar o recado: o PSD "não é um clube de amigos". Neste momento haverá certamente muita gente na máquina do partido a pensar na vida – a começar em Hugo Soares e na sua direção parlamentar. A eles e a outros Rio já prometeu que não dará vida fácil e que vai pôr o PSD em ordem. Não sei se é a “prometida” purga de que tanto se falou, e que tantos temem, mas julgo que Rui Rio se quer mesmo meter o PSD em ordem, e é normal que se rodeie dos seus, tem de saber unir e não excluir. Se o PS de Costa é já um poderoso adversário a última coisa que o novo líder pode querer é juntar-lhe uma oposição interna na clandestinidade. É provável que a tenha – porque haverá sempre descontentes -, mas tem de saber controlá-la e não atiçá-la. Mal comparado, Menezes quando chegou a líder também encontrou inimigos atrás de todas as portas da São Caetano e não aguentou mais de meia dúzia de meses.

A vitória de Rio só não é surpreendente porque estava há muito a ser preparada. Santana deu-lhe luta até ao fim, e, diga-se, foi um opositor combativo. Entrou bem mais tarde na corrida e até à última fez abanar a convição da vitória certa do ex-autarca do Porto. Se fosse frente a Passos Coelho a história teria sido outra, mas Rio teve a sorte de ter Santana no ringue. É verdade que o homem das tão discutidas “trapalhadas” do passado o encostou às cordas, mas isso só beneficiou Rui Rio. Por mais injusta que nos pareca a percepção, a verdade é que Santana fez sobressair o adversário, até mesmo quando lhe desferiu os golpes mais vibrantes. Na arena de Santana, Rio mostrou-se o mais fraco, mas o PSD considerou-o o mais confiável. Agora veremos o que dirá o país.

1
1