observador.ptobservador.pt - 12 jan 20:52

Rio preparado para os dois cenários, mas lembra: “Nunca perdi umas eleições”

Rio preparado para os dois cenários, mas lembra: “Nunca perdi umas eleições”

Nunca perdeu umas eleições, mas está preparado se for a primeira vez. Rio garante que não haverá "feridas" no day after. Sobre Pacheco, diz apenas que Santana estava "ansioso" por debater com ele.

Primeiro foi Miguel Relvas, depois José Pacheco Pereira. Os dois últimos dias de campanha interna para a liderança do PSD ficaram marcados por polémicas introduzidas por agentes externos. Sobre o seu amigo Pacheco, que ontem revelou na SIC que em 2011 Santana o chamou para falar sobre a ideia da criação de um novo partido, Rio chutou para canto: “É uma conversa entre os dois”, disse aos jornalistas em Santa Maria da Faria, depois de uma visita a um centro social no último dia de campanha.

De facto, a conversa tem sido feita entre os dois. Esta manhã, numa entrevista ao Observador, Santana Lopes confirmou o encontro, mas desvalorizou-o e disse que não era sobre a criação de um partido, mas sim de um “movimento”. Quanto a Rio, deixa-os a falar um com o outro. “Notei foi que ele [Santana Lopes] andava desde o início ansioso para fazer um debate com o dr. Pacheco Pereira, e estava a ver que acaba a campanha e ele não conseguia o debate. Mas lá conseguiu”, ironizou.

Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, foi o local escolhido para uma das últimas ações de campanha de Rui Rio. Terreno fértil, já que o diretor da campanha, Salvador Malheiro, presidente da câmara de Ovar, é o líder da distrital. O encerramento vai ser em Vila Nova de Gaia, numa “festa” num hotel onde são esperados muitos discursos e balanços finais. Tudo a norte, onde o PSD tem mais peso e onde, à partida, Rio é rei.

Mas o resultado está longe de estar garantido, por isso Rui Rio diz-se preparado para os dois cenários. “Estou preparado para perder, mas se perder vai ser a primeira vez na vida. Nunca perdi eleições”, disse, depois de ter sublinhado que está tão ou mais confiante do que estava ao início, quando começou a corrida eleitoral. “Feridas” no day after é que diz que não vai haver: “Foi, acima de tudo, uma campanha muito esclarecedora”.

Quem quer que ganhe, vai encontrar um partido diferente, diz. “Quem ganhar vai herdar um partido muito mais mobilizado, porque, mesmo que isso não tenha passado para fora, esta foi uma campanha muito participada, com militantes que já não iam a uma reunião há anos a aparecerem para reuniões à sexta ou ao sábado à noite”, disse num curto balanço feito aos jornalistas depois de uma visita ao centro social São Tiago de Lobão, em Santa Maria da Feira.

A mobilização não quer dizer, no entanto, que se traduza numa corrida às urnas, reconheceu. “Acredito que a abstenção pode ser mais baixa do que o habitual, mas há sempre abstenção”, disse, reconhecendo que não são os mais de 70 mil militantes que surgiram no último mês com as quotas pagas que vão votar na escolha do próximo líder do PSD.

Enquanto Santana Lopes vai terminar a campanha esta noite numa sessão com militantes na Maia, distrito do Porto, Rui Rio vai estar ali ao lado, em Gaia, naquilo a que chama “festa de encerramento” numa sala de hotel.

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