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▶ Vídeo: Património - Tem 50 euros para investir? Então pode ser um dos donos deste castelo

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Esta oportunidade, disponível no site da Adopte un Chateau, termina dentro de 17 dias. Julien Marquis, da associação francesa do património diz ao DN que a campanha já atraiu 75 nacionalidades, portugueses incluídos.

É um milagre de Natal. É desta forma que Julien Marquis, delegado geral da associação francesa Adopte un Chateau, descreve o que está a acontecer com a campanha lançada a 9 de outubro para a compra do Castelo la Mothe-Chandeniers, 300 quilómetros a sudoeste de Paris. O objetivo era em 80 dias conseguir angariar 500 mil euros para a compra do monumento, e em menos de dois meses, a 1 de dezembro, esse montante já estava reunido, com donativos a chegarem de todos os cantos do mundo, Portugal incluído.

Já assinámos o contrato promessa de compra e venda, diz audivelmente satisfeito a partir da Noyers, em França, onde mora e é proprietário de uma antiga estalagem do século XV, que recuperou e voltou a dar o uso original.

Sabemos que tanto os franceses como os estrangeiros gostam muito do património francês. Essa é uma das razões para visitarem França. Mas a campanha superou todas as nossas expectativas. O objetivo era chegarmos aos 500 mil euros em 80 dias e já reunimos mais de 800 mil euros, doados por mais de 10 mil pessoas, de 75 nacionalidades, desde chineses, indianos, mexicanos, e até portugueses, conta. E até dia 27 ainda é possível doar 50 euros (ou mais) e tornar-se num dos donos deste castelo.

A organização da campanha é fruto de um trabalho iniciado em 2015. Criámos a associação há dois anos para ajudar os proprietários de castelos a encontrar soluções que lhes permita salvar as suas propriedades. E durante dois anos trabalhámos para encontrar um enquadramento jurídico que nos permitisse colocar cinco ou dez mil pessoas à volta de uma mesa para salvar um castelo. Trabalhámos juntamente com a plataforma Dartagnans, nossa parceira nesta campanha, conta Julien Marquis, um apaixonado por história, património e castelos em particular desde que, ainda em criança visitou o castelo de Druyes-les-Belles-Fontaines, na região da Borgonha, onde vive.

O modelo encontrado é, classifica, bastante democrático. Cada 50 euros dá direito a uma ação na sociedade criada. As contribuições podem ser maiores, mas uma das regras é não existir um acionista maioritário, refere. E a que pedacinho do castelo dá direito a participação de cada um? Em janeiro, todos os coproprietários vão receber uma chave do castelo, uma chave moderna, um cartão, com um código de identificação que lhes permite a inscrição na plataforma que vamos criar e que estará acessível só aos coproprietários. Aí vão poder acompanhar cada passo das obras, participar na tomada de decisão sobre os projetos a desenvolver. Aí estará também disponível um calendário onde podem agendar a visita ao seu castelo, de acordo com a disponibilidade. Uma webcam irá ainda permitir aos coproprietários ver imagens em tempo real do castelo, cujas origens remontam ao século XIII e se tornou num símbolo do romantismo em França.

E apesar dos três milhões de euros que a associação de defesa do património Adopte un Chateau prevê que venham a ser gastos no castelo nos próximos dez anos, o aspeto de ruína é para manter. O projeto que temos para la Mothe-Chandeniers tem uma forte componente turística. Durante o mês de janeiro está a decorrer um concurso de ideias para que os arquitetos nos apresentem possíveis soluções para a intervenção. Soluções não de reconstrução, que isso iria apagar parte da história do edifício, mas de cristalização. Algumas partes podem ser refeitas ou podem ser construídas algumas infraestruturas. Está tudo em aberto. Temos de refletir sobre qual será a melhor forma de voltar a dar vida ao castelo, explica Julien Marquis.

Com um plano de negócio já elaborado em que até está previsto o preço das entradas no castelo (5 euros) quando estiverem reunidas as condições de segurança, os coproprietários não vão ser obrigados a contribuir para os trabalhos que, prevê, devem estar terminados num prazo de dez anos. É por isso que temos um plano de negócio, que pretendemos atrair mecenato. Há várias formas de angariação de fundos.

Em fevereiro assinamos a escritura e depois podemos começar os trabalhos nos quais os coproprietários também vão poder participar, avança Julien Marquis. Para além do castelo, que se situa no meio de um pequeno lago artificial, os primeiros 500 mil euros angariados servem também para pagar um dos terrenos na margem. Já estamos em contacto com os proprietários dos outros terrenos à volta. Não quer dizer que se comprem mais terrenos, mas poderemos arranjá-los para aí se instalarem infraestruturas de apoio aos visitantes e aos coproprietários, refere. Isto porque, dormir no castelo está fora de questão por questões de segurança.

O montante angariado para além dos 500 mil euros será usado em despesas relacionadas com a compra e para as primeiras obras. Depois desta campanha, a Adopte un Chateau está já a pensar em avançar com outras iniciativas, mas não com tantos intervenientes, revela. Sendo certo que esta campanha foi um sucesso, Julien Marquis tem ainda presente a desilusão que foi a primeira iniciativa da associação quando, em setembro, apesar de ter conseguido angariar dinheiro suficiente para a compra do Castelo Tatoué, uma licitação de um privado acabou por roubar o monumento à associação. Dinheiro reembolsado ou transferido para esta nova campanha, consoante a opção dos doadores, la Mothe-Chandeniers foi o alvo seguinte. Desta vez com sucesso.

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