www.cmjornal.ptEdgardo Pacheco - 8 dez 00:30

Vá na CP mas leve comida de casa

Vá na CP mas leve comida de casa

Viajamos na CP com chefes a cozinhar nos ecrãs, mas no bar serve-se comida de plástico.
Quem compra um bilhete no Alfa tem direito a três itens que não fazem parte do contrato: os eternos atrasos; a praga das conversas em altos decibéis ao telemóvel por gente educada em pocilgas e, por fim, um bar que serve comida que, honestamente, nunca percebi se é para humanos ou para outros seres vivos (e nem todos).

Tenho sempre a preocupação de me precaver em matéria de estômago quando viajo na CP, mas, na semana passada calhou-me saltar da cama e entrar quase diretamente numa carruagem em Campanhã, dois segundos antes do Alfa arrancar. Em jejum, lá fui ao bar.

Pergunto por sandes e a funcionária aponta para umas tiras branquíssimas com uma pasta no meio. Enojado, pergunto por croissants e indica-me algo que mais me parece um brinquedo de plástico brilhante protegido por plástico. Suspiro e a senhora sugere-me várias marcas de chocolates. Perante os meus olhos a faiscar, uma última tentativa: "tenho aqui este pastel de nata". Em desespero, aceito. Pago um euro e qualquer coisa e, depois de retirar o nobre doce do plástico envolvente, apercebo-me de que a textura da massa era exatamente idêntica à do creme do pastel. Com este atentado ao património gastronómico a escorrer-me pelos dedos olho para a funcionária e ouço: "Lamento, mas não tenho mais nada".

Que diabo, ninguém pede à CP que sirva no bar do Alfa alta gastronomia, mas entre esta e a porcaria que serve vai um intervalo enorme. Logisticamente, é assim tão difícil servir uma sandes em pão decente, um croissant ou um bolo de origem portuguesa feito no dia? É.
Convenhamos que quem paga o bilhete na CP (português ou turista) merece muito mais respeito.
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