www.jn.ptManuel Almeida Damásio* - 8 dez 00:01

Ensino Superior privado no Noroeste Peninsular

Ensino Superior privado no Noroeste Peninsular

Ao longo das últimas décadas o papel das universidades evoluiu do seu enfoque tradicional em atividades de investigação e de educação para uma participação cada vez maior em atividades de colaboração com o exterior, nomeadamente com as várias entidades existentes na região em que operam e com os vários atores da comunidade em que se inserem. Esta é hoje uma missão tão relevante para as instituições de Ensino Superior, como aquela que está associada às atividades de educação e investigação em que estas instituições se especializaram no passado. Este envolvimento é o que está subjacente ao denominado modelo de hélice tripla de desenvolvimento regional, que preconiza alianças colaborativas entre instituições de Ensino Superior e organizações públicas e privadas em ordem à promoção do desenvolvimento regional.

A partir da década de 90, muitos países nórdicos deram indicações precisas sobre uma abordagem estratégica a este problema, com a implementação de diversas atividades, parcialmente decalcadas da experiência norte-americana, orientadas para a comercialização dos resultados de processos de I&D.

É nossa convicção de que é hoje chegada a altura de aprofundar estes conceitos "importados" no passado para a nossa realidade e desenvolver uma abordagem centrada na ideia de uma universidade "engajada", ou seja, uma universidade que tem um papel ativo direto em processos de desenvolvimento regional, não se limitando a transferir ou promover a disseminação de conhecimento, mas que se assume ela própria como um ator nesse processo. Para que tal aconteça é essencial que se implemente o conceito de especialização inteligente proposto pela EU para a sua agenda de desenvolvimento regional 2020, e que em definitivo em cada região se defina claramente um conjunto diversificado de áreas onde todos os atores do território atuam de forma colaborativa com os vários clusters.

O Ensino Superior privado está preparado e disposto a aceitar este desafio de, conjuntamente com todos os agentes regionais, definir uma agenda de especialização e competitividade para a região do Noroeste Peninsular, partindo da sua identidade cultural, climática, étnica, geográfica e histórica. Será que, tal como no passado, iremos deixar esse desígnio a outros e esperar que externamente tal seja determinado?

* PRESIDENTE DO CA DA COFAC

1
1