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partidos e movimentos. Deputado em São Bento quer liderar Bloco na Madeira

partidos e movimentos. Deputado em São Bento quer liderar Bloco na Madeira

Paulino Ascensão, que em 2015 fez história a ser o primeiro deputado bloquista eleito pela Madeira, diz que o partido estagnou na região e avança com uma candidatura à liderança.

Quando, no final de Novembro, Rodrigo Trancoso, deputado regional do Bloco de Esquerda na Madeira, anunciou que não voltaria a integrar a lista à comissão coordenadora local, com recados para os que acusam a actual liderança madeirense de estar cristalizada, todos os olhos se viraram para Lisboa. Paulino Ascensão, que em 2015 foi na Madeira um dos protagonistas das legislativas, ao conseguir ser eleito para São Bento – foi o primeiro deputado bloquista pelo arquipélago –, era claramente o alvo das críticas de Trancoso.

Esse mal-estar, inédito num partido que na Madeira é herdeiro directo da UDP de Paulo Martins e Guida Vieira, dois históricos dirigentes e deputados regionais, foi esta quinta-feira confirmado, através do anúncio de Paulino Ascensão de que vai mesmo avançar para uma candidatura à liderança. Mesmo contra o actual coordenador regional, Roberto Almada, que está à frente do partido desde 2008.

O calendário eleitoral do Bloco passa pela realização, no início de Março do próximo ano, da VII Convenção Regional, e é para lá que Paulino Ascensão aponta. “Vários aderentes e dirigentes inconformados com a situação resolveram traduzir a vontade de mudança na construção de uma lista candidata à Comissão Coordenadora Regional da Madeira do Bloco de Esquerda, a eleger na convenção convocada para 4 de Março de 2018, da qual serei o cabeça de lista”, avançou esta quinta-feira o deputado num comunicado, em que elenca várias preocupações sobre o estado actual do partido.

Após as regionais de 2015, em que o Bloco obteve o melhor resultado de sempre na Madeira, Ascensão considera que o partido tem vindo a cair. “Sente-se uma acomodação à sombra do resultado, visto como acidental e não como um novo patamar de ambição que o BE deve assumir e procurar consolidar”, argumenta, acrescentando que os resultados das últimas autárquicas foram “decepcionantes” fora do Funchal.

E argumenta que, mesmo na capital madeirense, onde o Bloco aumentou o número de autarcas, o mérito “deve ser imputado” a Paulo Cafôfo, o independente que encabeça a coligação que governa o Funchal desde 2013, com o apoio do PS, BE e de outras forças políticas. “Os resultados nas últimas autárquicas fora do Funchal foram decepcionantes e reflectem as deficiências na organização interna, a não implantação nas localidades e a incapacidade de atracção de novos quadros”, critica Paulino Ascensão, dizendo que, mesmo no Funchal, o partido não pode estar condicionado pelos acordos que tem na autarquia.

“O respeito pelos compromissos e a lealdade para com os parceiros não podem cercear a autonomia nem condicionar a acção do partido”, avisa, criticando a falta de estratégia e de “vontades” em torno da campanha para as autárquicas. O Bloco, insiste o deputado referindo-se à envolvência do partido na coligação do Funchal, não pode abdicar das suas causas em nome de conveniências circunstanciais, sob risco de perder a sua identidade e utilidade.

Mesmo assim, e apesar das críticas à proximidade da actual coordenação regional com Paulo Cafôfo, num altura em que o autarca funchalense está envolvido nas eleições internas do PS-Madeira, Ascensão não coloca de parte uma convergência à esquerda, para derrotar o PSD nas regionais de 2019. “Não é agora o momento para excluir qualquer opção.”

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