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Onde param os programadores?

Onde param os programadores?

A iTGrow vai lançar um programa de reconversão e atrair desempregados para carreiras na programação

Os programadores integram a lista de profissionais com futuro garantido. Por outras palavras, as empresas precisam deles e vão continuar a precisar no futuro, seja qual for a linguagem em que programem. A verdade é que apesar de beneficiarem de elevados índices de empregabilidade, em Portugal, há carência destes profissionais. Nos últimos anos, inúmeras empresas do sector tecnológico têm procurado colmatar essa lacuna formando internamente os seus próprios programadores. A tecnológica iTGrow, participada pelo banco BPI e pela Critical Software, é uma delas.

Já formou mais de 120 profissionais oriundos de áreas completamente marginais ao universo tecnológico e prepara-se para arrancar com um novo programa de reconversão que visa qualificar para carreiras na programação, profissionais em situação de desemprego. O “Apostar em Ti” arranca em fevereiro de 2018 e está a receber candidaturas até 15 de fevereiro.

Em 2013, a braços com uma dificuldade extrema de contratação de programadores, iTGrow criou o programa “Acertar o Rumo”, em cooperação com a Universidade de Coimbra. A iniciativa tinha como objetivo dar novas oportunidades de carreira na área da programação a profissionais licenciados, oriundos de outras áreas de formação com menor empregabilidade ou que enfrentassem situação de desemprego. “Foi um sucesso”, garante Catarina Fonseca, diretora-geral da iTGrow, acrescentando que o programa vai na sua quinta edição e continuará a formar programadores em linguagem Java.

Foi este modelo formativo que inspirou a criação do novo programa de requalificação profissional “Apostar em Ti”. A diferença em relação ao seu antecessor (que continuará a formar profissionais) é a linguagem de programação. “Enquanto o ‘Acertar o Rumo’ está pensado para formar em Java, o ‘Apostar em Ti’ vai formar programadores em C/C++ para Sistemas Embebidos, uma área que regista grande procura de recursos humanos qualificados em Portugal e a nível internacional”, explica a responsável.

Vinte e quatro candidatos serão selecionados para integrar o programa, realizado em parceria com o ISEC (Instituto Superior de Engenharia de Coimbra). O programa decorre entre fevereiro de 2018 e maio de 2019 e, além da componente letiva (uma formação intensiva que prevê 40 horas semanais em sala e programação), contempla um estágio remunerado com duração de nove meses nas várias empresas que apoiam esta iniciativa. “50% destes formandos têm já estágio garantido na Critical Software, uma das empresas parceiras do programa”, refere Catarina Fonseca, acrescentando que a totalidade dos formandos que terminam o curso com aproveitamento é imediatamente colocada nas organizações.

Não há limites 
para ser programador

O público-alvo preferencial do “Apostar em Ti” são desempregados que tenham frequentado um curso superior, que possuam apetências para as áreas da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (CTEM) e que estejam motivados para a reconversão das suas competências para o segmento da programação. Mas a diretora da iTGrow garante que a empresa já formou profissionais de áreas tão dispares como as análises clínicas, História, Línguas e outras. “Qualquer pessoa pode aprender a programar”, garante.

A história de Orlando Neves e de Maria João Silva comprovam-no. O técnico de análises clínicas, de 35 anos, frequentou a primeira edição do programa “Acertar o Rumo” e hoje integra a equipa de programadores da Critical Software. “Senti as mesmas dificuldades no curso do que os meus colegas que vinham das áreas de matemática ou arquitetura sentiram”, explica. Para Orlando Neves, a aposta na programação surgiu como uma alternativa a uma situação de instabilidade profissional. Sempre teve curiosidade por programar e aprendeu algumas coisas de forma autodidata, até que decidiu apostar numa carreira na área.

Maria João Silva trilhou um percurso semelhante. Licenciada em História, trabalhava como arqueóloga quando decidiu integrar a segunda edição do mesmo programa, trabalhando hoje para a iTGrow como programadora júnior. “No processo de seleção até me disseram que vinha de uma área muito exótica para o curso, mas passei nas provas de seleção e, embora tenha tido necessidade de me dedicar muito na fase inicial, em que senti maiores dificuldades, terminei a formação entre os três melhores classificados, o que me permitiu escolher onde queria trabalhar”, explica.

Tal como o “Acertar o Rumo”, o programa “Apostar em Ti” tem um processo de seleção rigoroso que inclui a realização de provas individuais e em grupo e entrevistas. O objetivo é “selecionar aqueles que demonstrem elevada capacidade para cumprir, com sucesso as exigências do programa”, explica a diretora, garantindo que aqui reside também parte do seu sucesso. “Temos uma taxa de desistências baixíssima. Só um a dois formandos desistem a cada ano”, garante.

A participação no programa tem um custo de €1950 que são suportados pelos formandos. Catarina Fonseca justifica o montante com facto do programa não ter qualquer apoio ou financiamento estatal e garante que o valor corresponde ao pagamento dos docentes que acompanham os formandos durante os seis meses de formação em sala. A empresa tem, no entanto, acordos com a banca para financiar esta formação possibilitando aos alunos que só comecem a pagar o valor da propina quando iniciarem o seu estágio remunerado, que também ele está balizado pela iTGROW e os seus parceiros. “Nenhum estágio pode ser remunerado abaixo dos €750 euros, mas há empresas a pagar acima deste valor”, garante.

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