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Entrevista. “Um governo particularmente coeso e qualificado”

Entrevista. “Um governo particularmente coeso e qualificado”

Apesar da sua experiência e peso político e partidário, Eduardo Cabrita garante: “Não me preocupo muito com o quadro nem protocolar, nem de dito ‘peso [político]’.”

Eduardo Cabrita não se sente como o número dois do Governo, apesar do peso político e partidário que tem. Quanto ao Governo, defende que este “tem a estrutura e a composição que o primeiro-ministro entende adequadas e com evidente sucesso”.

O senhor ministro veio para a Administração Interna na sequência de uma crise. Conhecendo a sua história política, pode ser considerado uma espécie de bombeiro de António Costa?
Não. Vim para aqui porque a minha antecessora, a professora Constança Urbano de Sousa, entendeu pedir a cessação de funções. Nessa medida, dentro de um quadro que foi avaliado pelo primeiro-ministro, voltei a uma área à qual já tinha estado ligado entre 2005 e 2007, quando trabalhei com o dr. António Costa, então ministro da Administração Interna, como secretário de Estado adjunto e das autarquias locais.

É um ministro com um peso político e partidário específico – além de si, há apenas dois ministros com peso político, Santos Silva e Vieira da Silva. E há um secretário de Estado, Pedro Nuno Santos, com peso partidário. Não é pouco para um governo minoritário?
As considerações são totalmente da sua responsabilidade. Julgo que este é um governo particularmente coeso e qualificado. Tenho de facto a experiência de ter estado com funções diferentes, mas em governos anteriores, num de maioria absoluta e num governo com 115 deputados a apoiá-lo na Assembleia da República. Julgo que o Governo enfrentou um quadro económico particularmente complexo e a eleição esta semana de Mário Centeno para presidente do Eurogrupo de algum modo simboliza aquilo que é o pleno êxito deste modelo de governação. No plano interno, porque corresponde à expectativa dos portugueses. Desbloqueia aquilo que era uma entorse do nosso sistema constitucional. O facto de existirem áreas que não contribuíam para a formulação de soluções eram consideradas arredadas do quadro da formulação de soluções de governação.

Está a falar do PCP e do BE.
E a solução na qual se baseia o apoio parlamentar a este Governo torna irreversível que deixou de haver votos que contavam para governar e outros apenas para protestar ou para afirmar posições. Esse ganho político é desta governação.

Falo do peso político. O senhor sente-se como o número dois do Governo?
Não. Sinto-me como o ministro da Administração Interna. Não me preocupo muito com o quadro nem protocolar, nem de dito “peso”. Tenho as funções e o sentido de responsabilidade correspondente, com o mesmo empenho nas tarefas que há dois anos tenho neste Governo. Mudaram à cerca de mês e meio, mas o empenho é o mesmo.

O Governo não deveria ter um número dois com peso político?
O Governo tem a estrutura e a composição que o primeiro-ministro entende adequadas e com evidente sucesso – aquilo que corresponde à pacificação da sociedade portuguesa, ao crescimento da economia, ao demonstrarmos que é possível corresponder às expectativas quer de quem trabalha, quer de quem investe, cumprindo os nossos compromissos europeus. Provavelmente, há dois anos ninguém anteciparia que um governo com estas características fosse tão bem sucedido.

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