visao.sapo.ptMafalda Anjos - 8 dez 08:35

Vitória ou presente envenenado?

Vitória ou presente envenenado?

É muito difícil representar os interesses nacionais e ser porta-voz de um grupo tão opaco e díspar, com vontades por vezes inconciliáveis

A fotografia de Dijsselbloem, de sorriso a meia haste, ao lado do seu sucessor Mário Centeno não podia ser mais emblemática. O homem que nos últimos anos foi porta-voz da austeridade, fazendo suas as palavras do verdadeiro líder do Eurogrupo – o ministro das Finanças alemão Wolfgang Schäuble –, vê-se agora substituído por um dos “insubmissos”. Um tipo do Sul, daqueles países que, nas palavras do próprio, “gastam tudo em copos e mulheres” vai liderar o grupo dos 19. Que fina ironia do destino: Portugal aos comandos de quem decide as contas da Europa. . Será preciso tomar partido e, inevitavelmente, dar a cara por posições conjuntas garantidamente polémicas. Não será difícil ver-se entre a espada e a parede, tendo de contradizer ideias que defendeu antes no papel de “pequeno contestatário”.

Dentro de portas, é um trunfo para os parceiros de geringonça, cada vez mais difícil de manter a funcionar. Na visão binária de certa esquerda, Centeno vai ser o rosto dos “maus”, e não vão perdoar isso para tentar ganhar pontos. António Costa terá de gerir (mais) este risco.

Efeitos imediatos? Mais rigor, espera-se. Como dizia Marcelo Rebelo de Sousa, a tarefa representa uma “exigência acrescida”, vai ser preciso “andar na linha e não ter aventuras”. Coisas como ceder perante os professores, empurrar problemas com a barriga, transferir despesa para a frente e aumentar despesa pública mas só adiante? Isso era dantes...

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