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Afinal, foi um príncipe saudita a comprar o Salvator Mundi de Leonardo da Vinci

Afinal, foi um príncipe saudita a comprar o Salvator Mundi de Leonardo da Vinci

Ficará no Louvre Abu Dhabi o quadro de Leonardo da Vinci, vendido em novembro pelo preço recorde de 450 milhões de dólares, fazendo história. Mas é apenas a última compra feita por elementos da realeza árabe que andam a acumular grandes obras de arte ocidentais, custem o que custarem. Conheça alguns exemplos
Mulheres de Argel(1955), da autoria de Pablo Picasso, foi comprada em 2015 pelo antigo primeiro ministro do Qatar, Hamad bin Jassim bin Jaber al Thani, pela soma de 180 milhões de dólares. A obra pertence à série de 15 pinturas e desenhos inspiradas no trabalho do francês Delacroix, Les Femmes d'Alger 1 / 10

Mulheres de Argel(1955), da autoria de Pablo Picasso, foi comprada em 2015 pelo antigo primeiro ministro do Qatar, Hamad bin Jassim bin Jaber al Thani, pela soma de 180 milhões de dólares. A obra pertence à série de 15 pinturas e desenhos inspiradas no trabalho do francês Delacroix, Les Femmes d'Alger

Quand te maries-tu?[Quando te casas?], obra pintada em 1892 na Polinésia francesa, pelo p��s-impressionista Paul Gauguin, foi vendida pela família do colecionador suíço Rudolf Staechelin ao sheik Al-Mayassa bin Hamad bin Khalifa al Thani em 2014 por cerca de 300 milhões de dólares 2 / 10

Quand te maries-tu?[Quando te casas?], obra pintada em 1892 na Polinésia francesa, pelo pós-impressionista Paul Gauguin, foi vendida pela família do colecionador suíço Rudolf Staechelin ao sheik Al-Mayassa bin Hamad bin Khalifa al Thani em 2014 por cerca de 300 milhões de dólares

Três Estudos de Lucian Freud (1969), um tríptico de Francis Baccon em que retratou o amigo e pintor Lucian Freud, foi adquirido por 142,4 milhões de dólares pela sheika Mayassa bint Hamad al Thani, num leilão da Christie's. A leiloeira tinha estimado uma valor de venda de 85 milhões, mas uma acesa disputa entre interessados, que durou apenas dez minutos, acabou por elevar em muito esse valor 3 / 10

Três Estudos de Lucian Freud (1969), um tríptico de Francis Baccon em que retratou o amigo e pintor Lucian Freud, foi adquirido por 142,4 milhões de dólares pela sheika Mayassa bint Hamad al Thani, num leilão da Christie's. A leiloeira tinha estimado uma valor de venda de 85 milhões, mas uma acesa disputa entre interessados, que durou apenas dez minutos, acabou por elevar em muito esse valor

Os Jogadores de Cartas integra a série de pinturas, criadas entre 1890 e 1895, pelo mestre francês Paul Cézanne. Uma delas está exposta no Museu d'Orsay, esta outra foi comprada em 2011 pelo estado do Golfo Pérsico por 250 milhões de dólares 4 / 10

Os Jogadores de Cartas integra a série de pinturas, criadas entre 1890 e 1895, pelo mestre francês Paul Cézanne. Uma delas está exposta no Museu d'Orsay, esta outra foi comprada em 2011 pelo estado do Golfo Pérsico por 250 milhões de dólares

Paul Cezanne

Os Homens na Sua Vida [The Men in Her Life], pintura de 1962 de Andy Warhol, representa a atriz Elizabeth Taylor e os vários maridos que(até então)tivera. A obra foi comprada num leilão da Phillip's, em Nova Iorque, por representantes dos monarcas do Qatar. O preço? 63,4 milhões de dólares 5 / 10

Os Homens na Sua Vida [The Men in Her Life], pintura de 1962 de Andy Warhol, representa a atriz Elizabeth Taylor e os vários maridos que(até então)tivera. A obra foi comprada num leilão da Phillip's, em Nova Iorque, por representantes dos monarcas do Qatar. O preço? 63,4 milhões de dólares

Andy Warhol

Verde, Azul, Verde Sobre Azul (1968) é um dos onze quadros de Mark Rothko que pertenciam ao gestor J. Ezra Merckin. Por ordem do tribunal, devido ao seu envolvimento no escândalo Madoff, o gestor foi obrigado a vender esta série. A família real do Qatar adquiriu as onze obras em 2009 por... 310 milhões de dólares 6 / 10

Verde, Azul, Verde Sobre Azul (1968) é um dos onze quadros de Mark Rothko que pertenciam ao gestor J. Ezra Merckin. Por ordem do tribunal, devido ao seu envolvimento no escândalo Madoff, o gestor foi obrigado a vender esta série. A família real do Qatar adquiriu as onze obras em 2009 por... 310 milhões de dólares

Lullaby Spring (2002), obra-estante de comprimidos da autoria do britânico Damien Hirst, foi adquirida em 2007 pelo sheik Hamad bin Khalifa al Thani, emir do Qatar entre 1995 e 2013, após ter deposto o próprio pai. O preço pago estabeleceu um valor então recorde para um artista vivo:19 milhões de dólares 7 / 10

Lullaby Spring (2002), obra-estante de comprimidos da autoria do britânico Damien Hirst, foi adquirida em 2007 pelo sheik Hamad bin Khalifa al Thani, emir do Qatar entre 1995 e 2013, após ter deposto o próprio pai. O preço pago estabeleceu um valor então recorde para um artista vivo:19 milhões de dólares

White Center (Yellow, Pink and Lavender on Rose (1950), outra pintura abstrata de Mark Rothko, foi comprada pela família real do Qatar, sheik Hamad bin Khalifa al Thani e a mulher, Mozah bint Nasser al Missned, por 72,84 milhões de dólares. Corria o ano de 2007 e este valor estabeleceu um recorde, o da mais cara pintura pós-guerra vendida em leilão 8 / 10

White Center (Yellow, Pink and Lavender on Rose (1950), outra pintura abstrata de Mark Rothko, foi comprada pela família real do Qatar, sheik Hamad bin Khalifa al Thani e a mulher, Mozah bint Nasser al Missned, por 72,84 milhões de dólares. Corria o ano de 2007 e este valor estabeleceu um recorde, o da mais cara pintura pós-guerra vendida em leilão

O Templo de Júpiter em Atenas, daguerreótipo da autoria de Girault de Prangey, um pioneiro cujas imagens captadas na Grécia ou Síria são das mais antigas do mundo, foi comprada em 2003 pelo sheik Saud al Thani por 922,490 dólares. Na altura, estabeleceu um novo recorde do valor mais alto alguma vez pago por um daguerreótipo ou fotografia 9 / 10

O Templo de Júpiter em Atenas, daguerreótipo da autoria de Girault de Prangey, um pioneiro cujas imagens captadas na Grécia ou Síria são das mais antigas do mundo, foi comprada em 2003 pelo sheik Saud al Thani por 922,490 dólares. Na altura, estabeleceu um novo recorde do valor mais alto alguma vez pago por um daguerreótipo ou fotografia

Julia Prinsep Duckworth, April l867, da autoria de Julia Margaret Cameron, é um das 130 obras primas fotográficas que foram compradas pelo sheik Saud al Thani por 15 milhões de dólares, em 2000. O acervo pertencia ao fotógrafo Werner Bokelberg, e incluia trabalhos assinados por Man Ray, Alfred Stieglitz e outros nomes fundamentais na história da fotografia ocidental 10 / 10

Julia Prinsep Duckworth, April l867, da autoria de Julia Margaret Cameron, é um das 130 obras primas fotográficas que foram compradas pelo sheik Saud al Thani por 15 milhões de dólares, em 2000. O acervo pertencia ao fotógrafo Werner Bokelberg, e incluia trabalhos assinados por Man Ray, Alfred Stieglitz e outros nomes fundamentais na história da fotografia ocidental

Bader bin Abdullah bin Mohammed bin Farhan al-Saud. Este nome saiu do anonimato relativo dos cerca de cinco mil príncipes associados à casa real saudita, ao ser agora apontado pelo jornal The New York Times, como o comprador de Salvator Mundi, a última pintura de Leonardo da Vinci em mãos privadas. Referido como amigo próximo do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, este “discreto” aristocrata sem ligações aparentes ao mundo da arte, arrematou a obra no leilão da Christie’s por uns estratosféricos 450 milhões de dólares no passado 15 de novembro, tornando-a a mais cara pintura de sempre. Sabe-se agora que a obra será emprestada ao recentemente inaugurado Louvre Abu Dhabi – o museu que ambiciona redefinir as centralidades da arte e tornar o mundo árabe numa paragem obrigatória no circuito museológico comtemporâneo.

O príncipe saudita que pagou 450 milhões de dólares pela obra de Leonardo da Vinci

O príncipe saudita que pagou 450 milhões de dólares pela obra de Leonardo da Vinci

Ainda não foi divulgada a data a partir da qual Salvator Mundi estará patente ao público no Louvre Abu Dhabi. Mas será, certamente, um trunfo capaz de mobilizar multidões. Dados revelados pelo Louvre de Paris mencionam, por exemplo, que uma obra universalmente famosa, como é o caso da Mona Lisa, também de Leonardo da Vinci, é o principal objetivo de 80% dos visitantes que se deslocam ao museu pela primeira vez. Se ter a marca Louvre no mundo árabe é uma conquista, ter um Leonardo da Vinci desta magnitude ajudará certamente as ambições culturais da região.

Esta aquisição de uma obra de arte marcante, capaz de alterar o xadrez internacional e assegurar uma ambicionada influência cultural, não é um caso único. Também localizado no Golfo Pérsico, o Qatar tem estado envolvido numa estratégia de aquisições de obras de arte ocidentais, sem precedentes e sem rivais. Em 2013, Patricia G. Hambrecht, alta responsável da leiloeira Phillips, descrevia assim, ao The New York Times, os dirigentes do pequeno país: “Eles são, atualmente, os mais importantes compradores do mercado de arte.” Também o The Art Newspaper revelou que, entre 2005 e 2011, o Qatar foi responsável pela compra maciça de arte moderna e contemporânea, adquirindo trabalhos de nomes altamente cotados como Mark Rothko, Andy Warhol e Damien Hirst. E a febre de aquisições não dá sinais de abrandamento até 2017.

Sheika Mayassa bint Hamad al Thani, a figura mais poderosa do mundo da arte?

Sheika Mayassa bint Hamad al Thani, a figura mais poderosa do mundo da arte?

Às coleções de pintura e objetos artísticos, orientais e ocidentais, o sheik do Qatar e a sua família extensa juntaram impressionantes acervos de joias, carros de coleção, relógios, antiguidades. A família real al Thani, de quem William Lawrie, ex-responsável do departamento de arte contemporânea árabe e iraniana da leiloeira Christie’s, disse serem “o equivalente moderno dos Médicis da Florença do século XVI”, estiveram por trás do estabelecimento do Museu de Arte Moderna de Doha, do Museu de Arte Islâmica desenhado pelo arquiteto I.M. Pei, do Museu de Fotografia do Qatar, entre outros polos dedicados à arte e à cultura que surgiram na região.

A sheika Mayassa bint Hamad al Thani é, asseguram os especialistas, a figura chave nesta missão que ambiciona transformar o Qatar numa potência cultural no plano internacional. Reconhecida como uma das players mais importantes do mundo da arte contemporânea, a irmã do atual emir, Tamim bin Hamad al Thani, preside à Autoridade dos Museus do Qatar e é responsável pela gestão do orçamento real para arte – um valor que excede os mil milhões de dólares anuais.

O tríptico pintado por Francis Bacon, em honra de Lucien Freud, é uma das aquisições de vulto da shieka Mayassa

O tríptico pintado por Francis Bacon, em honra de Lucien Freud, é uma das aquisições de vulto da shieka Mayassa

Aos 34 anos, Mayassa bint Hamad al Thani tem a reputação de ser a maior compradora de arte a nível mundial. Foi ela que adquiriu o tríptico de Francis Bacon, dedicado ao amigo pintor Lucien Freud, pela soma de 142,4 milhões de dólares, e a pintura Os Jogadores de Cartas, de Cézanne, por 250 milhões de dólares. E tem fama de oferecer sempre valores mais altos dos que os esperados. A estratégia do Qatar é simples: licitam sempre as obras de arte famosas. Uma “máquina de guerra extraordinária” para elevar Doha a capital mundial da arte, definiu Thierry Ehrmann, fundador da plataforma online Artprice: “O Qatar não corre riscos, compra o melhor e está dispostos a pagar o que for preciso para o obter.” E um estudo co-realizado pela Artprice e pelo Organ Museum Research, entre 2000 a 2012, revelou que os valores das licitações feitas pelo Qatar eram 40 a 45% acima dos preços de mercado.

Mayassa bint Hamad al Thani apresenta-se ora como uma sofisticada mulher de negócios com roupas ocidentais ora como uma princesa de cabeça coberta. Estudou nos EUA, tendo-se diplomado pela Universidade de Columbia, e trabalhou no Festival de Cinema de Tribeca, criado por Robert de Niro, sem revelar o seu estatuto real, anates de regressar ao Qatar para presidir à Autoridade dos Museus do Qatar. Numa TED Talk de 2010, a sheika Mayassa dizia isto:”Estamos a fazer a revisão de nós próprios através das nossas instituições culturais e desenvolvimento. A arte é uma parte muito importante da nossa identidade nacional.” Quais serão as obras de arte mundialmente reconhecidas que, brevemente,irão parar ao Qatar, é a questão.

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