www.vidaeconomica.ptvidaeconomica.pt - 7 dez 18:54

Mercado monetário já em toada de fim de ano

Mercado monetário já em toada de fim de ano

As taxas dos prazos de um a três meses recuperaram ligeiramente esta semana, mas nada aponta para que se trate de uma tendência, até porque as Euribor dos seis aos 12 meses pouco se alteraram. O mercado já entrou numa toada de fim de ano, não se esperando qualquer comentário disruptivo por parte de membros do BCE.
Na vertente económica, os dados apresentados mantêm-se bons em termos gerais, apenas com as vendas a retalho em outubro a desiludirem com uma queda mensal de 1,1% e um aumento anual de 0,4% - esperava-se, respetivamente, uma queda de 0,7% e um aumento de 1,5%. Os dados de atividade de negócio medidos pela Markit mostraram nova aceleração em novembro. O PMI passou de 56,0 para 57,5, atingindo, desta forma, o valor mais alto desde abril de 2011. Dados muito fortes do livro de encomendas e no recrutamento abrem boas perspetivas para o início de 2018. Na Alemanha, porém, o setor de serviços mostrou algum abrandamento, sendo o mesmo atribuído ao clima de maior incerteza política no país, dado que ainda não se chegou a uma solução para um governo estável. A relação entre a União Europeia e o Reino Unido continua longe de ficar definida, sendo que agora é a fronteira que este país tem com a Irlanda o principal ponto de discórdia.
O mercado obrigacionista está de certa forma “adormecido”, com as taxas fixas nos prazos mais longos em swap a estabilizarem pelos níveis da semana passada. O volume de novas emissões continua a cair, em especial por parte das empresas não financeiras. O BCE comprou um volume mais baixo de obrigações alemãs de acordo com a regra “capital key” (proporção determinada pela dimensão das economias e população) no mês de novembro. Foi o oitavo mês consecutivo em que tal aconteceu, com a França e a Itália a serem os principais beneficiados. Sem alteração das regras atuais, começa a ser difícil cumprir à regra o programa de compras mensais, algo que tem atingido de forma especial Portugal, caso em que as compras do BCE estão J12 000 milhões abaixo do que o calculado pela aplicação da regra “capital key”, sendo que os países do Báltico também têm sido afetados por esta situação. À medida que se for avançando no programa será cada vez mais difícil cumpri-lo dentro das regras definidas. Esta é uma das razões que justificam rendimentos tão baixos nas principais linhas de obrigações europeias. 
Análise produzida a 5 de dezembro de 2017
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