rr.sapo.ptOpinião de José Luís Nunes Martins - 7 dez 18:03

Amar é destruir a solidão do outro

Amar é destruir a solidão do outro

O sentido da vida passa por sair do conforto e ir ao encontro dos que ninguém quer ver, por serem maus ou por serem melhores do que nós, e caminhar em conjunto com eles no tempo. Dando sem esperar receber. Aceitando sem julgar. Perdoando sem porquê. Aprendendo, sempre.

O egoísmo é uma forma que alguns encontram para lidar com o medo de falhar. Uma resposta quase natural para quem não se quer magoar. Afastam-se, fazendo com que as distâncias lhes sirvam de muralhas.

Tendemos a julgar que somos diferentes e melhores do que os outros. Acreditamos que sabemos tudo e que ninguém nos pode ensinar nada, pois, se algo nos é desconhecido, sê-lo-á apenas porque não tem importância. A humildade é algo que fica sempre bem nos discursos, embora não a pratiquemos, como se isso fosse sinal de inferioridade ou cobardia. Para justificar esta atitude de criar diferenças onde talvez não existam, desculpamo-nos condenando os outros! Não temos erros, os outros é que estão errados a nosso respeito! E quanto mais assim se pensa, mais abandonado se fica. Outros há que, por serem bons acabam por ir sendo postos de parte. Poucos têm coragem de se comparar com eles. A sua verdade incomoda. Admitir que são exemplos a seguir é algo demasiado duro para quem só quer elogios e sucessos – ainda que não sejam verdadeiros ou merecidos. O amor não é um jogo onde se trocam benefícios por benefícios. No amor, é quem mais perde, por mais dar, que ganha… ganha-se a si mesmo, mostrando-se, e vendo-se, na sua forma mais autêntica. Criando caminhos que, depois de nos levarem ao encontro uns com os outros, possam ser largos o suficiente para que, juntos, sigamos na mesma direção. Mas sem que por isso cada um deixe de ter de escolher entre uma infinidade de caminhos. Amar é destruir a solidão do outro... e a nossa!
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