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Conselho de Segurança reúne-se de emergência para debater decisão de Trump sobre Jerusalém

Conselho de Segurança reúne-se de emergência para debater decisão de Trump sobre Jerusalém

O encontro, que contará com a presença do secretário-geral da ONU, António Guterres, vai ter lugar esta sexta-feira a pedido de oito dos 15 atuais membros do Conselho, entre eles França, Reino Unido e Egito

A Arábia Saudita juntou-se ao crescente coro de críticas à decisão de Donald Trump de declarar que Jerusalém é a capital de Israel e de mudar a embaixada dos EUA no país de Telavive para a cidade sagrada, uma decisão anunciada esta quarta-feira.

Com cada vez mais líderes mundiais a manifestarem preocupações com o passo, que veio reverter uma posição de longa data dos Estados Unidos e que coloca o país às avessas com a comunidade internacional, o reino sunita de Salman falou numa decisão "injustificada e irresponsável", ecoando as críticas que outros chefes de Estado e de governo têm tecido ao Presidente norte-americano.

Para Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, quarta-feira tornou-se um "dia histórico" para os hebraicos, uma opinião partilhada pela Coligação Republicana Judaica, que esta quinta-feira pagou uma página de publicidade no "New York Times" para agradecer a decisão do Presidente Trump.

O destino da cidade santa – definida por Israel como a sua capital sagrada e indivisível desde que o país foi fundado em 1948, mas cuja parte oriental é reclamada pelos palestinianos como a capital do seu futuro Estado – é um dos tópicos mais quentes do processo que decorre há décadas para acabar com a ocupação dos territórios da Palestina pelos hebraicos e para avançar com uma solução de dois Estados na região.

Logo a seguir ao anúncio de Trump, oito das 15 nações que compõem o atual Conselho de Segurança da ONU pediram ao organismo que convocasse uma reunião urgente até ao final desta semana para debater a controversa decisão dos EUA. A pedido de França, Bolívia, Egito, Itália, Senegal, Suécia, Reino Unido e Uruguai, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, irá participar nesse encontro, já marcado para esta sexta-feira, avançaram diplomatas à Reuters.

No seu anúncio a partir da Casa Branca, cumprindo uma das suas promessas de campanha, o líder norte-americano argumentou que a decisão "representa os melhores interesses dos Estados Unidos da América e a busca pela paz entre Israel e palestinianos". Reconhecer Jerusalém como a capital de Israel, contra as resoluções da ONU e o direito internacional que designa a cidade um "território ocupado" (desde 1967), acrescentou Trump, "não é mais do que o reconhecimento de uma realidade" e "a coisa certa a fazer".

Ao assinar o documento que ordena a mudança da embaixada de Telavive para a cidade santa – de importância redobrada para judeus, mas também para muçulmanos e cristãos – Trump disse, contudo, que os EUA ainda apoiam a solução de dois Estados e a criação de um Estado palestiniano independente ao lado de Israel.

Reações

A decisão já está a gerar protestos no mundo árabe e islâmico, incluindo em tradicionais aliados da América. Na noite de quarta-feira, horas depois do antecipado anúncio, houve pelo menos uma manifestação frente ao consulado dos EUA em Istambul, na Turquia.

Juntando-se aos outros países, o tribunal real da Arábia Saudita declarou que "o passo dos EUA representa um declínio significativo dos esforços pelo processo de paz e é uma violação da histórica posição neutra da América sobre Jerusalém".

Najib Razak, primeiro-ministro da Malásia, um país asiático em que mais de 61% da população é muçulmana, pediu por sua vez aos seguidores do Islão em todo o mundo que "tornem claro que nos opomos fortemente" à decisão norte-americana.

Guterres falou num "momento de grande ansiedade" e lembrou que "não existe uma alternativa à solução de dois Estados". Theresa May, chefe do governo britânico, declarou que discorda da decisão de Trump por "não ajudar à paz na região".

Angela Merkel e Emmanuel Macron também se recusaram a apoiar os EUA. Em nome da União Europeia, a chefe da diplomacia Federica Mogherini disse-se "seriamente preocupada" com as potenciais consequências deste passo em todo o mundo.

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