www.vidaeconomica.ptvidaeconomica.pt - 7 dez 18:49

Reinventar a inteligência competitiva

Reinventar a inteligência competitiva

Estamos na sociedade do conhecimento e o paradigma do modo de funcionamento da sociedade mudou. É hoje importante disseminar tudo o que se sabe e importa que individualmente se coloque em prol da sociedade a criatividade e capacidade inovadora de cada um, fazendo o que se chama empreendorismo.
 Estes são fatores críticos da mudança numa sociedade de vivência num modo participado. Com efeito, a grande alavancagem deste novo modo de estar resulta de se estar na rede, de usar as TIC.
O fator tecnológico é central na dinamização desta nova agenda de inteligência em Portugal, mas também apostar na excelência deve constituir um compromisso permanente na procura de criação de valor. Há uma oportunidade de reinvenção de identidade nacional com base nas nossas capacidades através da implementação de um modelo estratégico de desenvolvimento diferente e com outros resultados.
O conhecimento, embora não sendo uma novidade, é talvez uma marca própria dos tempos de hoje, os da Sociedade da Informação e do Conhecimento. Sob a articulação estratégica de atores relevantes do tecido socioeconómico regional como decisores políticos, empresas, universidades e centros de inovação o conhecimento tem de ser estruturado e adaptado às novas dinâmicas da economia, nomeadamente a global, apoiado sobretudo nas TIC, no pressuposto da criação e sustentação de valor.
A diferença estará na capacidade de combinar eficiência com inovação, mas para isso impõe-se:
- dar aos atores dinâmicos da sociedade civil (empresas, universidades, centros de I&D, empreendedores) a possibilidade de participarem de forma ativa numa verdadeira rede integrada de inovação e informação;
- Proceder a uma ligação prática entre empresas e centros de conhecimento (universidades, centros I&D), usando as TIC como instrumentos dinâmicos de aumento de produtividade e reforço de valor na cadeia produtiva;
- Criar centros de excelência e competitividade em zonas de interior ou mais desfavorecidas e que contribuam para a correção de assimetrias no desenvolvimento.
Para Portugal, a essência desta nova “inteligência competitiva” tem que se centrar num conjunto de novas “ideias de convergência”, a partir das quais se ponham em contacto permanente todos os que têm uma agenda de renovação do futuro. Importa acelerar uma cultura empreendedora em Portugal. A matriz comportamental da “população socialmente ativa” do nosso país é avessa ao risco, à aposta na inovação e à partilha de uma cultura de dinâmica positiva. Importa por isso mobilizar as capacidades positivas de criação de riqueza. Fazer do empreendedorismo a alavanca duma nova criação de valor que conte no mercado global dos produtos e serviços verdadeiramente transaccionáveis.
 Na sociedade da “inteligência competitiva”, a falta de rigor e organização nos processos e nas decisões, sem respeito pelos fatores “tempo” e “qualidade”, já não é tolerável nos novos tempos globais. Não se poderá, a pretexto de uma “lógica secular latina”, mais admitir o não cumprimento dos horários, dos cronogramas e dos objetivos. Não cumprir este paradigma é sinónimo de ineficácia e de incapacidade estrutural de poder vir a ser melhor. Importa, por isso, uma cultura estruturada de dimensão organizacional aplicada de forma sistémica aos atores da sociedade civil. Há que fazer da “capacidade organizacional” o elemento qualificador da “capacidade mobilizadora”.
Pretende-se também um Portugal de “inteligência competitiva” mais equilibrado do ponto de vista de coesão social e territorial. A crescente (e excessiva) metropolização do país torna o diagnóstico ainda mais grave. A desertificação do interior, a incapacidade das cidades médias de protagonizarem uma atitude de catalisação de mudança, de fixação de competências, de atração de investimento empresarial, são realidades marcantes que confirmam a ausência duma lógica estratégica consistente. Não se pode conceber uma aposta na competitividade estratégica do país sem entender e atender à coesão territorial, sendo por isso decisivo o sentido das efetivas apostas de desenvolvimento regional de consolidação de “clusters de conhecimento” sustentados.
 A sociedade civil portuguesa tem nesta matéria um papel central. A aposta na excelência, na sua diferença e no seu sucesso, é o resultado duma agenda estratégica que se pretende voltada para um futuro permanente. Apostar na excelência deve constituir um compromisso permanente na procura do valor, da inovação e da criatividade como fatores críticos da mudança. Os bons exemplos devem ser seguidos, as boas práticas devem ser percebidas, o caminho tem de ser o da distinção e da qualificação. Na sociedade da “inteligência competitiva” sobrevive quem consegue ter escala e participar, com valor, nas grandes redes de decisão.
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