expresso.sapo.ptexpresso.sapo.pt - 7 dez 19:06

Votação online em curso: Salvador Sobral ‘dobra’ Marcelo na figura nacional de 2017

Votação online em curso: Salvador Sobral ‘dobra’ Marcelo na figura nacional de 2017

Dando seguimento a uma prática iniciada em 2014, o Expresso desafia novamente os seus leitores a votarem as figuras e acontecimentos nacionais e internacionais do ano. Na votação para figura nacional de 2017, Salvador Sobral lidera com "maioria absoluta", esmagando Marcelo Rebelo de Sousa. A votação online dos leitores do Expresso decorre até dia 15 de dezembro, às 18h

Com 52% dos votos dos leitores do Expresso, Salvador Sobral lidera a corrida para figura nacional do ano. O cantor de "Amar pelos Dois" tem larga vantagem sobre Marcelo Rebelo de Sousa, deixando o presidente dos afetos com 24% das preferências. Mário Centeno é terceiro classificado, com 17%.

A votação online pelos leitores do Expresso, agora na quarta edição, é feita sobre as mesmas opções que foram discutidas e votadas pelos jornalistas do Expresso. À semelhança do que acontece desde 1982, a Redação elege as figuras e os acontecimentos nacionais e internacionais do ano. A iniciativa é uma das mais velhas tradições democráticas da comunicação social portuguesa

Os artigos de fundo sobre os vencedores das quatro categorias (figura nacional; acontecimento nacional; figura internacional; e acontecimento internacional) serão publicados na edição semanal em papel de 23 de dezembro.

Até às 18h do dia 15 de dezembro, os leitores podem fazer a sua votação, escolhendo entre os mesmos acontecimentos e figuras que foram sufragados pela redação do Expresso.

Em baixo, pode votar na figura nacional de 2017, escolhendo um dos nomeados.

Diretor de comunicação
Há uma nova figura no futebol português a ocupar o espaço central da discussão. Não joga, treina, preside ou apita, apenas decide o que se fala e, sobretudo, como se fala. Chama-se diretor de comunicação. Cada clube tem o seu, mas é entre os responsáveis de FC Porto, Benfica e Sporting que a atenção mediática se divide. Há quem diga que o protagonismo é excessivo. Francisco J. Marques (FC Porto), Nuno Saraiva (Sporting) e Luís Bernardo (Benfica) multiplicam-se em post nas redes sociais e participações em programas televisivos as televisões dos clubes, onde fazem denúncias contra alegadas práticas corruptivas ou de tráfico de influência dos rivais. A linguagem bélica e carregada de metáforas ("Polvo Encarnado", Futebol Clube do Polvo", "Liga Salazar", etcetera) entranhou-se na sociedade, de tal forma que os diretores de comunicação se tornaram figuras de jornais e de TV's. O caso mais paradigmático acontece no "Universo Porto da Bancada", do Porto Canal, em que Francisco J. Marques começou a revelar correspondência eletrónica que visava árbitros, ex-árbitros e responsáveis do Benfica, abrindo uma frente de batalha semanal contra o rival da Luz que redundou em buscas policiais nos estádios e nas SAD de ambos os clubes.

Marcelo Rebelo de Sousa
Goste-se ou não do estilo, é impossível não reconhecer que Marcelo Rebelo de Sousa já mudou, e de que maneira, a Presidência da República. Ele é o primeiro a explicar que a política em moldes clássicos já não é possível nos dias de hoje. Fazendo o balanço dos seus quase dois anos de mandato é impossível não concordar com ele: Marcelo, o primeiro Presidente que todos os portugueses chamam pelo nome próprio, conversa com o mesmo à vontade com a Rainha de Inglaterra, nos salões de Buckingham, como com os sem-abrigo, sentado no chão de uma rua de Lisboa; é sempre o primeiro a aparecer, seja em Pedrógão Grande (quando a tragédia ainda nem atingira os números impensáveis que vieram a conhecer-se) ou na explosão de uma fábrica de pirotecnia em Lamego; usa (para alguns, abusa) os afetos como nunca antes se viu ao mais alto magistrado da nação. Marcelo tornou definitivamente obsoleto o conceito de “Presidente corta-fitas” e demonstrou, como se viu pelas duras palavras que dirigiu ao Governo após os incêndios de junho e de outubro, que a “magistratura de influência” pode ser, assim se o queira (e ele quer), mais do que uma pomposa e vã expressão de retórica.

Mário Centeno
Já fora considerado o Ronaldo do Eurogrupo, nas palavras do todo-poderoso Wolfgang Schauble, mas poderia pensar-se que a patente de Mário Centeno na Europa ficaria pelos títulos honoríficos. Afinal, o ministro português das Finanças, que começou por ser visto com desconfiança pelos seus pares, foi no dia 4 de novembro eleito presidente do Eurogrupo. Às dúvidas iniciais sobre o grau de compromisso com as regras europeias, o ministro das Finanças da “geringonça” respondeu com um cumprimento escrupuloso das metas e fechou o seu primeiro orçamento com o défice mais baixo desde o 25 de abril. Conseguiu-o, é certo, à custa de apertadas cativações e alguns truques, como o perdão fiscal, mas foi o suficiente para tirar Portugal do Procedimento por Défice Excessivo (PDE) e para iniciar a saída da classificação de rating de lixo. Em 2017, Portugal teve sucessivas boas notícias na frente económica e financeira, e nelas Centeno teve naturalmente um papel central. Tirando o polémico episódio da Caixa Geral de Depósitos, com as garantias que terá dado a António Domingues, e as críticas por um exercício musculado das cativações, tudo correu bem neste ano à segunda figura do Governo, com reconhecimento interno e externo (ao contrário do primeiro-ministro, que desde os incêndios de Pedrógão só respirou praticamente com a vitória nas autárquicas).

Nadia Piazza
É o rosto da revolta das vítimas dos fogos. Brasileira, 39 anos, nasceu no Paraná e há quase duas décadas vive em Portugal, onde casou e teve um filho. A 17 de junho estava a trabalhar na Irlanda quando soube que um incêndio de grandes dimensões atingia as proximidades da região onde vive (Figueiró dos Vinhos). No dia seguinte, regressou a Portugal para descobrir que o filho de cinco anos tinha morrido, na estrada 236-1, no carro conduzido pelo pai, o ex-marido de Nadia, na fuga do fogo que viria a matar um total de 65 pessoas. Grávida, assumiu a liderança da Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande e, desde então, nunca mais parou de confrontar o poder político com a necessidade de assumir as responsabilidades, apoiar a capacidade de prevenção e reação das populações, e a situação da saúde mental das pessoas afetadas. Desassombrada, não se inibe de dizer que o filho "foi deixado a arder". Não desistiu até conseguir um pedido de desculpas do primeiro-ministro, bateu-se pelas demissões da ministra da Administração Interna e da liderança da Associação Nacional de Proteção Civil. Garante que não está no espaço público para ingressar na política, mas ainda agora começou o percurso de reivindicação.

Rosário Teixeira
Aos 55 anos, o procurador Jorge Rosário Teixeira, com o eterno bigode, o fato cinzento e a gravata sem história, já tinha uma bela coleção de inimigos notáveis quando decidiu fazer mais um: José Sócrates, o ex-primeiro-ministro socialista, uma vez eleito por maioria absoluta, que acusou de 31 crimes, entre os quais corrupção, e de ter recebido 34,1 milhões de euros ilicitamente. É a primeira vez que um antigo líder de um Governo é acusado de corrupção e só por isso Rosário Teixeira já está na história. Excelente investigador, é por vezes acusado de demorar demasiado tempo a deduzir acusações e de nem sempre as blindar para os julgamentos. O julgamento de Sócrates será, muito provavelmente, também o seu julgamento.

Salvador Sobral
Quando, no início de maio, participou na primeira meia-final do Festival da Canção, poucos terão imaginado que Salvador Sobral viria a ser uma das figuras mais badaladas do ano. De aspeto frágil e praticamente desconhecido do grande público, o cantor deu voz a uma canção da irmã, Luísa Sobral, e contra o que a lógica festivaleira parecia ditar acabou por entregar a Portugal a primeira vitória de sempre no Festival da Eurovisão. Que o tenha feito com um tema de recorte clássico, longe da pop mais festiva que associamos ao certame, é uma proeza; que tenha continuado a confundir o público com um protagonismo mediático marcada pela aparente falta de filtros acabou, também, por tornar-se uma imagem de marca do jovem artista. Entre as recordações mais marcantes do ano ficarão certamente as do triunfo na Eurovisão de ‘Amar pelos Dois’ (a canção obteve uma pontuação recorde) ou a receção apoteótica no aeroporto de Lisboa, na chegada de Kiev. Uma onda de carinho popular a que o periclitante estado de saúde de Salvador Sobral não é alheio.

1
1