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Região da Bairrada produz 70% dos es pumantes nacionais

Região da Bairrada produz 70% dos es pumantes nacionais

”A Bairrada está a atravessar um momento positivo, pois a região tem vindo a crescer naquilo que é a certificação. A notoriedade e o preço médio por garrafa estão também a crescer” – disse José Pedro Soares. O presidente da CVR da Bairrada falava na sessão de abertura da última conferência sobre vitivinicultura, organizada pela “Vida Económica”.
A conferência decorreu na sede da CVR da Bairrada e teve por tema “Desafios do crescimento na produção de espumante de qualidade”. Para José Pedro Soares, o aumento em volume da produção de espumantes na região não deve ser a prioridade. O primeiro objetivo deve estar no aumento da procura de certificação como fator de valorização deste produto. Segundo referiu, a região é constituída em grande parte por casas engarrafadoras com pouca ligação à produção da matéria-prima. “O negócio do espumante surge associado a essa vinha de vinhos de outras paragens para a nossa região” - referiu.
A CVR da Bairrada é uma das mais recentes do país. Enquanto o Dão tem mais de 100 anos de demarcação, a Bairrada não tem ainda 40 anos e o espumante ainda tem menos dois ou três anos.
José Pedro Soares destacou o facto de a Bairrada ser a região de onde saem 70% dos espumantes nacionais. “Ainda há muito caminho para percorrer no sentido de fazer uma ligação direta entre a produção de uvas e de espumante na região” - acrescentou.
“Continuamos a ter na região disponíveis cerca de 26 milhões de litros anualmente em termos médios e continuamos a certificar sete milhões de garrafas, ou seja, certificamos cerca de 20% do que produzimos”, disse.
O espumante da Bairrada é um espumante que tem determinadas características próprias, como a frescura. Mas é difícil comunicar um espumante com 25 variedades diferentes.
Os casos de sucesso foram debatidos entre Francisco Antunes (Caves Aliança), Vítor Damião (Adega Cooperativa de Cantanhede) e Mário Sérgio (Quinta das Balgeiras).
 
Valorizar a diferença
 
“Não podemos vender mais barato, porque temos pequenas dimensões e temos uma enorme diversidade de castas” – afirmou Luís Pato. Para o principal especialista dos vinhos da Bairrada, é preciso treinar os consumidores, insistir com eles de que os nossos vinhos não são melhores do que os outros, mas são tão bons como os outros. São diferentes dos outros. “Isso vai fazer com que algumas das nossas castas comecem a viajar por esse mundo fora. Temos de pensar global” - afirmou. Segundo referiu, um dos problemas que temos nos Estados Unidos é a referência ao baixo preço dos vinhos. “A imagem do vinho português é a de um vinho barato. É uma imagem a evitar em termos de promoção estratégica”, alertou.
A região tem condições climáticas e de solo em que estava destinada para brancos e espumantes. Os tintos têm de se trabalhar bastante para fazer um maior número de colheitas.
“Temos de nos concentrar em dois tipos de espumante. O problema é a grande diversidade de espumantes na região. Não há uma linha condutora do produto. Temos dois tipos de solo e cada um traz a sua característica à mesma casta” – acrescentou. Luís Pato considera fundamental apostar em práticas inovadoras e evitar a estagnação. sem inovação, evolução, sem experimentação.
 
Vinhos sem certificação representam a maioria das exportações
 
“Portugal é o terceiro país do mundo com o maior número de variedades. A Geórgia é o maior e depois segue-se a Itália” – disse Maria Fernão Pires, diretora do IVV. Segundo referiu, somos um dos países do mundo com maior número de castas e temos este índice de castas autóctones que indica Portugal como sendo o maior.
Em termos de superfície regional da nossa superfície vitícola, mais de 40% da superfície vitícola está classificada como sendo apta à produção de vinhos sujeitos à certificação. Atualmente, esta é a ultima área comunicada para Bruxelas. “Tivemos muita perda de área de vinha, principalmente com o abandono, sobretudo com o abandono dos produtores. Também há um valor importante, que é a superfície vitícola estruturada entre 2009 e 2016 – referiu.
No total, 34 castas das 343 representam 89% da área total, predominando 18 quintas, das quais duas são internacionais. Há uma concentração destas 34 castas.
Em termos de produção, há muitas vinhas novas que entraram em produção. A maior quebra de produção registou-se no Alentejo.
Genericamente, em números de produção, houve quatro milhões de litros certificados DOC Bairrada.
Com base nos números das exportações e comparando o primeiro trimestre de 2016 com o primeiro trimestre de 2017, os vinhos sem certificação representam ainda 65%, enquanto os DOC 27% e IGP 7,8%.
A certificação é uma competência do Estado e este delegou esse papel nas CVR, mediante o cumprimento de um conjunto de requisitos que se encontram definidos.
Há um novo diploma que vai trazer a proibição da utilização direta e indireta das DO.
As propostas de alteração, introdução de novas castas, novo produto, já têm de ser comunicadas, porque passam a ser reguladas por portaria. Vão estar sujeitas a parecer obrigatório das CVR, entrando no IVV.
 
Tecnologia controla fatores de risco na produção
 
O desenvolvimento tecnológico está a contribuir para um melhor conhecimento das plantas e a reduzir os riscos associados à produção – explicou João Simões. O diretor da Biocant referiu que em Portugal existe uma grande diversidade das castas videiras, com um total de 285 castas autóctones no nosso país.
O trabalho desenvolvido pelo Biocant envolve a utilização de 14 microssatélites na identificação de castas, fazendo uma cobertura de 11 dos 19 cromossomas da planta. Para João Simões, é possível aumentar o número de microssatélites para 28, fazendo uma cobertura total do DNA dos cromossomas da planta. Após esta identificação, torna-se possível fazer comparações com as castas existentes nos outros países..
A nível da vinha, também é fundamental a identificação de doenças que maioritariamente são causadas por bactérias e fungos. No âmbito da atividade desenvolvida, a Biocant faz também a identificação de outras doenças, possibilitando o aumento da eficácia dos tratamentos e a prevenção dos riscos associados à produção.
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