www.vidaeconomica.ptvidaeconomica.pt - 7 dez 18:58

Balanço de 2017 nas matérias-primas

Balanço de 2017 nas matérias-primas

À medida que nos aproximamos do final do ano, é oportuno olharmos para trás e fazer alguns balanços sobre o desempenho dos mercados financeiros, incluindo o das diversas classes de ativos.
A classe de ativos que mais me prende a atenção é as matérias-primas, devido à elevada disparidade dos desempenhos registados. De facto, três das valorizações mais expressivas em 2017 dentro dos contratos de futuros referem-se a mercadorias: o paládio, a madeira e o arroz. O metal precioso atingiu mesmo o nível mais alto dos últimos das últimas três décadas, subindo 48%. Além de o mercado do paládio estar numa situação deficitária, aumentou a exigência do controlo nas emissões poluentes dos fabricantes automóveis, que utilizam o metal nos conversores catalíticos. No contexto de um veículo, o conversor catalítico é um dispositivo antipoluição usado para reduzir a toxicidade das emissões dos gases de escape.
A madeira valorizou 33%, impulsionada pela continuação do crescimento económico nos EUA, nomeadamente no setor imobiliário. Em termos de fluxo noticioso, saliento a tarifa de 20% sobre as importações de madeira canadiana aplicada pela administração Trump em abril. Esta foi a forma polémica encontrada pelo secretário do Comércio Wilbur Ross para equilibrar o défice comercial com os principais países parceiros. Porém, este impacto no lado da oferta não é suficiente para justificar uma valorização de 33%. De facto, a aceleração do mercado imobiliário parece-me ser a principal causa do lado da procura, dado que cada casa nova construída nos EUA requer, em média, 14 mil pés em madeira.
Quanto ao arroz, considero que o principal fator explicativo da subida de 29% foi o facto de a China ter permitido a importação de arroz norte-americano pela primeira vez na história. Esta novidade permite aos agricultores norte-americanos aceder ao maior mercado consumidor do mundo, que representa cinco milhões de toneladas por ano. A China abriu o mercado do arroz quando aderiu à Organização Mundial do Comércio em 2001 mas a inexistência de um protocolo fitossanitário entre a China e os EUA impediu as importações na prática.
Embora não tenha ficado no pódio das melhores performances em 2017, o cobre registou um ganho de 24%. Com o cobre a demonstrar uma saudável tendência altista de máximos e mínimos cada vez mais altos, a valorização deve-se à recuperação abrangente da economia global e ao aumento da compra pela China, que precisa desta mercadoria para construir infraestruturas.
No polo negativo, destacam-se o açúcar e o sumo de laranja. Depois de uma valorização substancial em 2016, a oferta respondeu com um aumento da produção de açúcar, que foi claramente excessiva, ao ponto de o açúcar ter desvalorizado 24% este ano, num contexto de arrefecimento da procura.
O sumo de laranja desvalorizou 16%, pressionado pela forte produção proveniente de um ano excecional de colheitas no Brasil, no lado da oferta. Ao mesmo tempo, o sumo de laranja concentrado tem perdido importância dentro das preferências dos consumidores norte-americanos, que se voltam cada vez mais para bebidas saudáveis e com menos calorias.
Olhando para 2018, uma das mercadorias que mais me chamam a atenção é o farelo de soja. Do ponto de vista técnico, o farelo de soja iniciou a rotura em alta de um triângulo de alta, visível no gráfico. Sendo maioritariamente usado para alimentação animal mas também para consumo humano, poderá beneficiar do aumento da atividade económica global e do interesse crescente em proteína vegetal e em leite de soja.
1
1